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Governo Lula avalia enviar remédios e alimentos a Cuba em meio à crescente crise energética do país

Crise de combustível agrava desabastecimento e governo brasileiro avalia ação nas áreas de saúde e alimentação

Os presidentes Lula e Díaz Canel (Foto: Telesur)

247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda a possibilidade de realizar um aporte a Cuba com foco humanitário, especialmente por meio do envio de alimentos e medicamentos. A avaliação interna é de que a situação na ilha caribenha se agravou nos últimos meses e pode se tornar ainda mais delicada caso o cenário de escassez de combustíveis resultante do bloqueio imposto pelos Estados Unidos continue se aprofundando.

Segundo o jornal O Globo, o tema poderá ser tratado na conversa prevista entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para o próximo mês, em Washington. Interlocutores em Brasília afirmam que a forma como o assunto será apresentado dependerá da evolução da crise enfrentada pelo país caribenho.

Planalto monitora agravamento da crise na ilha

A preocupação do governo brasileiro ocorre em meio ao avanço de uma crise energética que se soma ao desabastecimento de comida e remédios em Cuba. O país enfrenta dificuldades para manter o fornecimento de petróleo e combustíveis essenciais, o que tem afetado serviços básicos, transporte e o cotidiano da população, estimada em cerca de 11 milhões de habitantes.

A Embaixada do Brasil em Havana acompanha diariamente relatos sobre a situação e as dificuldades enfrentadas pela população cubana. Segundo dados citados por integrantes do governo, há aproximadamente 150 brasileiros vivendo atualmente na ilha.

Bloqueios de petróleo e ameaça de tarifas ampliam racionamentos

O agravamento da crise se deve ao bloqueio do fornecimento de petróleo a Cuba e ameaçado aplicar tarifas contra países que continuem fornecendo óleo ao governo cubano. A medida vem agravando a escassez de combustível e contribuindo para a intensificação de racionamentos de energia. O cenário também tem provocado cancelamentos de voos devido à falta de combustível de aviação no país, ampliando os impactos da crise em setores estratégicos e na mobilidade interna.

Falta de combustível atinge transporte e distribuição de mercadorias

Interlocutores familiarizados com o assunto afirmam que o governo cubano informou não ter condições de manter o fornecimento de combustível para determinadas operações. A situação afeta o turismo e o transporte de passageiros, mas, principalmente, compromete o transporte de mercadorias, que ocorre em grande parte por navios.

Com a escassez de combustível, a distribuição de bens essenciais também é impactada, agravando o desabastecimento e dificultando o funcionamento de cadeias logísticas no país.

Governo avalia ação semelhante à realizada pelo México

Segundo integrantes do governo, o Brasil avalia que pode ser necessário um esforço semelhante ao adotado pelo México para reduzir os efeitos mais imediatos da crise em Cuba. Ainda assim, não há definição sobre o formato, o volume ou o momento de eventual apoio, e qualquer anúncio é considerado prematuro.

Apesar disso, a possibilidade segue em análise em Brasília. A interrupção de fluxos energéticos, especialmente os provenientes da Venezuela, combinada com o anúncio de sanções tarifárias contra países que mantenham relações com Havana, tende a intensificar ainda mais a instabilidade enfrentada pela ilha caribenha.

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