México rejeita ameaça de tarifas dos EUA e diz que retomará envio de petróleo a Cuba
Claudia Sheinbaum classifica medida do governo Trump como “muito injusta” e afirma que remessas ocorrerão sem prejuízo ao povo mexicano
247 - A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, rejeitou publicamente a ameaça do governo dos Estados Unidos de impor tarifas contra países que fornecem petróleo a Cuba e afirmou que sua administração já trabalha para retomar os embarques destinados à ilha. Segundo ela, o envio será feito “sem qualquer impacto negativo para o povo do México”.
As declarações foram publicadas pela Telesur, com base em informações da Prensa Latina, e ocorreram durante a tradicional coletiva de imprensa matinal realizada nesta terça-feira (10), no Palácio Nacional, na Cidade do México.
Durante a entrevista coletiva, Sheinbaum classificou como injusta a medida anunciada por Washington e reforçou que o México seguirá prestando apoio a Cuba, inclusive por meio de assistência humanitária.
“Como eu disse ontem, acreditamos que é muito injusto impor tarifas àqueles que enviam petróleo para Cuba, e continuaremos a ajudar (a ilha) com vários tipos de ajuda humanitária”, declarou.
A presidente também explicou que o governo mexicano está reorganizando a logística para manter o fornecimento de petróleo e assistência à população cubana, destacando que a operação não trará prejuízos internos.
“Sem qualquer impacto negativo para o povo mexicano”, afirmou.
A tensão diplomática ocorre após a assinatura de uma ordem executiva, em 29 de janeiro, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estabeleceu um processo para impor tarifas sobre ativos de países que exportem petróleo bruto para Cuba. O texto cita uma suposta emergência nacional como justificativa e reforça a política de endurecimento das restrições impostas à ilha.
Sheinbaum explicou que a maior parte do petróleo enviado a Cuba ocorre dentro de acordos comerciais, semelhantes aos firmados com outros países, enquanto outra parte é destinada a fins humanitários. A presidente ressaltou que a política mexicana combina compromissos econômicos e apoio solidário.
O posicionamento da mandatária mexicana ocorre em meio à intensificação das pressões internacionais relacionadas ao abastecimento energético de Cuba, alvo recorrente de sanções e restrições externas.


