"Vamos apoiar Cuba de todas as maneiras que forem necessárias", afirma Claudia Sheinbaum
Presidenta mexicana México critica sanções dos EUA e reforça envio de ajuda humanitária a Cuba
247 - A presidente do México, Claudia Sheinbaum, condenou nesta segunda-feira (9) o endurecimento das sanções dos Estados Unidos contra Cuba e reafirmou que seu governo continuará enviando ajuda humanitária à ilha caribenha. Durante sua coletiva de imprensa matinal, a mandatária criticou especialmente a ameaça de tarifas relacionadas ao fornecimento de petróleo e destacou que divergências políticas não podem justificar o sofrimento imposto à população cubana.
Reportagem da Telesur informa que a presidenta afirmou que o seu país tem tradição de fraternidade e que seu governo não pode permanecer indiferente às dificuldades enfrentadas atualmente pela sociedade cubana.
Segundo Sheinbaum, o compromisso do México com a soberania das nações é inabalável, e a ajuda humanitária continuará sendo enviada. Ela ressaltou que a política externa mexicana é guiada por princípios históricos, como o respeito à autodeterminação dos povos, e que o país manterá apoio concreto à ilha em meio à crise agravada por pressões externas.
Em sua fala, a mandatária também destacou que não concorda que disputas políticas tenham como consequência direta o impacto sobre serviços e condições básicas de vida. Ela declarou:
“Os únicos que podem decidir como se governam são os próprios povos, isso é muito importante. Não se pode prejudicar os povos, mesmo quando não se concorda com o governo; não se pode fazer um povo sofrer.”
A reafirmação do apoio ocorreu após o envio, no domingo (8), de dois navios carregados com ajuda humanitária a partir do porto de Veracruz. Um deles, o Papaloapan, transporta 536 toneladas de suprimentos alimentares e itens essenciais, incluindo leite, produtos cárneos, biscoitos, feijão, arroz, atum, sardinha, óleo vegetal e materiais de higiene pessoal.
O segundo navio, o Isla Holbox, levou 277 toneladas de leite em pó. A previsão é que a carga chegue a Cuba na próxima quinta-feira (12). Ainda de acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores, mais de 1.500 toneladas de leite em pó e feijão permanecem armazenadas pelo governo mexicano, aguardando embarque para a ilha.
Sheinbaum informou que a coordenação dessa operação foi supervisionada por Lázaro Cárdenas Batel, chefe de gabinete da Presidência, pelo embaixador cubano Eugenio Martínez e pela própria chancelaria mexicana.
Díaz-Canel agradece apoio e destaca laços históricos
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, manifestou gratidão ao governo mexicano e destacou o vínculo histórico entre os dois países. Segundo o relato, ele valorizou o apoio do México em um momento de forte escassez e de aumento das pressões externas sobre a economia cubana.
Ainda conforme a reportagem, Díaz-Canel ressaltou que a solidariedade mexicana representa alívio importante para famílias cubanas que enfrentam os efeitos das medidas coercitivas, num cenário em que a ilha tenta manter serviços básicos e garantir abastecimento.
Críticas às medidas de Trump
Sheinbaum também comentou a ordem executiva assinada em 29 de janeiro por Donald Trump, determinando a imposição de tarifas adicionais às importações provenientes de países que forneçam petróleo a Cuba. Para a presidente mexicana, trata-se de uma decisão injusta e com impacto direto sobre o povo cubano.
Segundo a Telesur, Trump também declarou emergência nacional, sob a justificativa de uma suposta ameaça cubana à segurança dos Estados Unidos. Sheinbaum afirmou que tais medidas dificultam o funcionamento de serviços essenciais na ilha, como hospitais e escolas.
México promete ação diplomática
A mandatária afirmou ainda que o México está atuando diplomaticamente para impedir que sejam impostas tarifas ao país por causa do envio de petróleo a Cuba. Conforme relatado, as remessas de petróleo estão atualmente suspensas.
A presidenta mexicana também defendeu a possibilidade de seu país atuar como ponte entre Washington e Havana, afirmando:
"Através do México pode-se estabelecer uma comunicação entre ambos os países para poder resolver, o mais rápido possivel esta situação.”
Do lado cubano, o governo da ilha classificou as sanções como parte de um bloqueio energético, afirmando que o objetivo é sufocar a economia e tornar intoleráveis as condições de vida da população.
Mesmo diante da escalada de tensões no setor energético, Sheinbaum reforçou que o envio de alimentos e apoio técnico continuará, reiterando que a política externa mexicana continuará priorizando a cooperação e o bem-estar dos povos latino-americanos.


