Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Presidente cubano diz que relações com BRICS, Rússia e China abrem novas perspectivas para o Sul Global

Declaração de Díaz-Canel ocorre após ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, e denúncias de desinformação

Díaz-Canel, presidente de Cuba (Foto: Prensa Latina)

247 - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira (5) que o fortalecimento das relações com o BRICS, além da ampliação da cooperação com China e Rússia, pode abrir novas alternativas de desenvolvimento para os países do Sul Global, em um cenário de crescente instabilidade geopolítica. A declaração foi feita em meio ao aumento das tensões entre Havana e Washington nas últimas semanas, e reforça o discurso cubano em defesa de uma articulação internacional mais ampla, baseada no multilateralismo e na integração econômica. As informações são da Sputnik Brasil. 

Díaz-Canel defende integração econômica e multilateralismo

Segundo o presidente cubano, a unidade entre países do Sul Global precisa ser prática e sustentada por medidas coordenadas, e não apenas por declarações diplomáticas. “Precisamos buscar clareza e unidade, que não pode ser apenas retórica, mas uma unidade de ações. Aspirações de integração em todos os blocos possíveis, por meio de esforços conjuntos, defendendo ideias e implementando ações econômicas, comerciais e coordenadas que sustentem o multilateralismo. Acredito que blocos atuais, como o BRICS, demonstram liderança nesse sentido e oferecem diferentes perspectivas para o Sul Global. A cooperação do Sul Global com a China e a Rússia é distinta”, afirmou Díaz-Canel.

Cuba denuncia campanha de desinformação e pressão psicológica

Díaz-Canel também declarou que Cuba estaria sendo alvo de uma campanha de desinformação e de pressão psicológica, com o objetivo de enfraquecer a unidade interna do país e ampliar o clima de incerteza e desconfiança dentro da sociedade cubana.

De acordo com o presidente, métodos semelhantes já teriam sido aplicados anteriormente contra a Venezuela, quando ações de agressão foram acompanhadas por estratégias de influência direcionadas à comunidade internacional, utilizando meios de comunicação e redes sociais.

O chefe de Estado cubano ressaltou ainda que o Sul Global deve acompanhar atentamente os cenários que vêm sendo apresentados no atual contexto internacional.

Tensões aumentam após decreto de Donald Trump

A escalada nas tensões entre Cuba e os Estados Unidos se intensificou em janeiro, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto determinando tarifas de importação sobre mercadorias de países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba. Na mesma ocasião, Trump também declarou estado de emergência no território norte-americano, alegando uma suposta ameaça à segurança nacional vinda de Havana.

México oferece mediação entre Havana e Washington

Em meio ao agravamento da crise, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou na última terça-feira (3) que o país estaria disposto a atuar como mediador entre os Estados Unidos e Cuba, desde que ambos concordem com a iniciativa. “O México [...], na melhor história de nossa diplomacia e política exterior, sempre estará disposto a apoiar a soberania dos povos e o diálogo para a solução pacífica de conflitos”, declarou Sheinbaum.

Segundo o vice-chanceler cubano Carlos Fernández de Cossío, Cuba e os Estados Unidos continuam mantendo contatos, embora ainda não exista um processo formal de diálogo entre os dois governos.

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