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2026 pode entrar para a lista dos anos mais quentes já registrados, indicam estudos globais

Projeções climáticas internacionais apontam que a temperatura média global seguirá próxima de recordes históricos

Homem toma banho na rua em meio ao calor no Rio de Janeiro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - Projeções climáticas divulgadas por instituições internacionais indicam que 2026 deverá figurar entre os anos mais quentes desde o início das medições modernas. As estimativas reforçam a tendência de elevação contínua da temperatura média do planeta, mantendo níveis próximos aos recordes históricos observados recentemente e evidenciando a intensificação do aquecimento global ao longo das últimas décadas.

As informações foram publicadas originalmente pelo Met Office, a agência meteorológica do Reino Unido. De acordo com os estudos apresentados, a temperatura média global em 2026 deve ficar cerca de 1,46°C acima dos níveis pré-industriais, registrados entre 1850 e 1900. A projeção considera uma margem que varia de 1,34°C a 1,58°C, valor levemente inferior ao recorde de 1,55°C observado em 2024, mas ainda suficiente para posicionar o ano entre os mais quentes já registrados.

Segundo o Met Office, mesmo não superando o pico de 2024, o cenário projetado coloca 2026 “provavelmente entre os quatro anos mais quentes já observados”. A agência destaca que a série histórica de dados, iniciada em meados do século XIX, demonstra uma aceleração do aquecimento global sobretudo nas últimas décadas.

Adam Scaife, chefe da equipe de previsão global do Met Office, chamou atenção para a recorrência de temperaturas elevadas. “Nos últimos três anos, provavelmente ultrapassamos 1,4°C, e esperamos que 2026 seja o quarto ano consecutivo em que isso acontece”, afirmou. Segundo ele, esse padrão era considerado improvável até pouco tempo atrás, o que evidencia a rapidez das mudanças climáticas em curso.

As projeções também intensificam os alertas da comunidade científica sobre a influência direta das atividades humanas no aquecimento global. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que as principais fontes de gases de efeito estufa responsáveis pelas mudanças climáticas são o dióxido de carbono e o metano, emitidos principalmente pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gasolina.

Nick Dunstone, meteorologista-chefe do Met Office, ressaltou que 2024 marcou a primeira vez em que o limite de 1,5°C foi temporariamente ultrapassado. Para ele, as estimativas para 2026 mostram que essa situação pode voltar a ocorrer. “Isso demonstra a rapidez com que estamos nos aproximando da meta de 1,5°C do Acordo de Paris”, declarou.

Firmado em 2015 durante a COP21, o Acordo de Paris estabelece como objetivo central limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2°C, com esforços para restringi-lo a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. O tratado entrou em vigor em 2016, reúne 194 países signatários e prevê revisões periódicas das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que detalham os compromissos nacionais de redução de emissões e adaptação aos impactos climáticos.

Relatórios recentes de organismos internacionais reforçam os riscos associados à superação do limite de 1,5°C. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima que o aquecimento global atual esteja em torno de 1,37°C acima da média pré-industrial, considerando dados consolidados da última década. Para os cientistas, cada fração adicional de grau eleva significativamente a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, ao mesmo tempo em que reduz as possibilidades de adaptação, ampliando a urgência do cumprimento e do fortalecimento dos compromissos climáticos globais.

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