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Governo alerta para risco de seca severa e aumento das queimadas no segundo semestre

Projeções do Cemaden indicam 70% de chance de El Niño forte ou muito forte, com impactos em diversas regiões do Brasil

Incêndio no Pantanal (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)
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247 - O governo federal trabalha com um cenário de alto risco climático para o segundo semestre de 2026, marcado pela possibilidade de uma seca prolongada e pelo aumento dos incêndios florestais em diferentes regiões do país. Diante das projeções, foi criada uma sala de situação para monitorar os desdobramentos do fenômeno El Niño e coordenar ações preventivas entre órgãos federais e equipes técnicas. As informações são da CNN Brasil.

Dados apresentados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam uma probabilidade de 70% de ocorrência de um El Niño forte ou muito forte neste ano. O fenômeno, cuja formação costuma ocorrer entre junho e agosto, poderá se intensificar ao longo dos próximos meses e se estender até o início de 2027, elevando o risco de eventos extremos como secas, ondas de calor, tempestades, chuvas intensas e incêndios florestais.

A principal preocupação do governo está concentrada no último trimestre do ano. Nesse período, a combinação entre estiagem prolongada e temperaturas elevadas pode favorecer o agravamento dos focos de incêndio, especialmente em áreas já vulneráveis.

O secretário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, destacou a necessidade de preparação antecipada para enfrentar o cenário previsto.

“Se vier mais forte, o impacto do El Niño vai ser uma estiagem mais prolongada, o que agrava a situação lá pra outubro e novembro. Temos seis meses de preparação para esse período mais crítico”, afirmou.

Apesar das projeções, o Cemaden ressalta que a intensidade do El Niño não determina, necessariamente, a gravidade de seus efeitos. Eventos classificados como moderados já provocaram impactos significativos no passado recente. Em 2024, por exemplo, fortes chuvas atingiram o Rio Grande do Sul, enquanto o país enfrentou a pior seca em sete décadas, com mais de 80% dos municípios registrando condições de estiagem.

Governo reforça estrutura de prevenção

Durante as reuniões técnicas, especialistas enfatizaram que medidas preventivas são fundamentais para reduzir prejuízos econômicos e evitar perdas humanas. Como resposta, o governo federal vem ampliando a estrutura de combate aos incêndios florestais.

Entre as ações previstas para 2026 está o aumento do contingente de brigadistas federais. Ao todo, serão 4.385 profissionais mobilizados, sendo 2.600 vinculados ao Ibama e 1.785 ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O número representa um crescimento de 26% em relação a 2024.

Outra medida envolve a ampliação do alcance do Fundo Amazônia, que passará a financiar iniciativas de prevenção e combate ao fogo também em outros biomas brasileiros, incluindo Cerrado e Pantanal. Em julho, foram aprovados R$ 150 milhões destinados aos Corpos de Bombeiros Militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal.

O Ibama também planeja instalar ao menos seis bases avançadas em áreas consideradas estratégicas, como Amazônia, Pantanal e Matopiba. A proposta é ampliar a capacidade de resposta rápida, utilizando aeronaves e brigadas em regiões com maior incidência de incêndios.

Segundo André Lima, a atuação federal será concentrada prioritariamente em territórios sob responsabilidade da União, como parques nacionais, terras indígenas e assentamentos, além dos chamados mega incêndios.

“A prioridade do governo federal é fazer o primeiro ataque nas áreas federais e depois reforçar nas áreas onde os corpos de bombeiros os estados, os municípios não derem conta. Então os municípios, por exemplo, também estão começando a receber apoio do governo federal para se prepararem para ações de prevenção e controle. Foram R$ 30 milhões destinados a quase 30 municípios que cobrem áreas muito importantes de combate a incêndio para eles também se equiparem e elaborarem seu planejamento”, explicou.

O secretário também destacou que o enfrentamento das queimadas exige participação conjunta dos diferentes níveis de governo e do setor privado, conforme estabelece a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, implementada em 2024.

“Não é o governo federal que vai apagar o fogo do Brasil inteiro. Isso não existe”, pontuou.

Municípios são orientados a se preparar

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou, em maio, uma nota técnica orientando gestores locais sobre medidas de preparação diante dos possíveis impactos climáticos associados ao El Niño.

No documento, o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, chama atenção para a necessidade de planejamento antecipado por parte das administrações municipais.

“Verifica-se, ao longo da última década, a persistência de fragilidades na estrutura nacional de prevenção e resposta”, afirmou.

Levantamento da CNM mostra que os desastres naturais causaram prejuízos de R$ 785,4 bilhões no Brasil entre 2013 e 2025. No período, 95,1% dos municípios brasileiros registraram algum tipo de impacto relacionado a eventos climáticos extremos, com danos à infraestrutura, moradias, serviços públicos, atividades econômicas e à população.

Impactos esperados em cada região

As projeções indicam que as regiões Norte e Nordeste poderão enfrentar redução das chuvas e temperaturas acima da média, aumentando o risco de estiagens prolongadas e problemas relacionados à segurança hídrica.

Já no Sudeste e Centro-Oeste, a preocupação está voltada para possíveis alterações no regime de chuvas, o que pode dificultar a recuperação dos reservatórios e elevar os riscos hidrológicos.

Além disso, especialistas alertam para a possibilidade de novas ondas de calor. Os anos de 2023, 2024 e 2025 foram os mais quentes já registrados globalmente e também apresentaram recordes de episódios de calor extremo no Brasil. O El Niño tende a aumentar a probabilidade desses eventos, criando condições ainda mais favoráveis à propagação de incêndios florestais.

A sala de situação coordenada pela Casa Civil reúne 13 órgãos federais e realiza encontros mensais para acompanhar a evolução do fenômeno. A próxima reunião deverá ocorrer na última semana de junho, quando novas projeções climáticas serão apresentadas com maior grau de precisão. Especialistas ressaltam, entretanto, que ainda não é possível determinar com segurança a intensidade final do evento, já que cada episódio de El Niño apresenta características próprias e nem sempre segue os padrões observados em anos anteriores.

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