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Folha de São Paulo fecha parceria comercial com Google para aprimorar Gemini

Acordo amplia uso de conteúdo jornalístico para melhorar respostas do Gemini e fortalecer inovação editorial com IA

Gemini (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

247 - A Folha de São Paulo firmou uma parceria comercial com o Google para fornecer conteúdo jornalístico que será utilizado no aprimoramento das respostas do Gemini, aplicativo de inteligência artificial da empresa. O acordo prevê acesso a parte do acervo do jornal e a um fluxo contínuo de textos atualizados, contribuindo para respostas mais precisas e contextualizadas aos usuários.

Segundo informações divulgadas pela própria Folha, a colaboração foi consolidada em 2025 e marca o primeiro acordo do jornal com uma plataforma de inteligência artificial. A iniciativa integra um movimento mais amplo de cooperação entre empresas de mídia e tecnologia voltado à inovação no ecossistema digital.

Pelo modelo estabelecido, o Google passa a utilizar conteúdos produzidos pela Folha como base para enriquecer os resultados apresentados pelo Gemini. A parceria também envolve o News Pilot, um programa do Google News que utiliza IA para diversificar formatos de conteúdo e ampliar o engajamento com diferentes públicos.

Os termos financeiros do contrato não foram divulgados. No entanto, a iniciativa reforça uma série de colaborações anteriores entre as duas empresas, como o Google Destaques (Showcase), no qual o jornal organiza conteúdos em painéis personalizados, e o uso da ferramenta Pinpoint, que reúne documentos públicos para apoiar reportagens.

Outro projeto relevante inclui a digitalização do acervo histórico da Folha, com milhares de imagens disponibilizadas no Google Arts & Culture. A coleção, intitulada “Folha: Uma Lente no Brasil”, oferece ao público acesso gratuito a registros visuais de mais de um século de história.

Fabiana Zanni, diretora de Parcerias de Notícias do Google para a América Latina, destacou a estratégia da empresa em ampliar colaborações com veículos de imprensa. “Temos reforçado parcerias de longa data e iniciado outras novas para melhorar nossos produtos e ajudar empresas jornalísticas a explorarem novas oportunidades na era da IA. Como parte desse esforço, estamos testando um novo programa de parceria comercial com diversas empresas de mídia globalmente, incluindo este com a Folha”, afirmou.

Para Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha, a integração entre tecnologia e jornalismo depende da qualidade do conteúdo. “O Google tem no Brasil um núcleo de jornalismo, incluindo jornalistas que já foram da Folha e do UOL. Isso é louvável e facilita o diálogo porque esses profissionais entendem o valor do jornalismo de qualidade. Tanto buscas quanto ferramentas de IA não podem prescindir de conteúdo sério, sob pena de perder relevância entre os usuários”, disse.

Já o diretor-geral do jornal, Carlos Ponce de Leon, ressaltou a necessidade de acordos formais para uso de conteúdo. “A Folha entende a nova realidade da IA e busca diálogo com essas empresas. Desde 2025, temos o acordo com o Google, fruto de negociação. Com algumas empresas, precisamos usar a via judicial. Não é o que queremos, mas não podemos permitir o uso do conteúdo mais relevante do país sem autorização e sem remuneração”, declarou.

A parceria segue uma tendência global. Em 2025, a agência Associated Press também firmou acordo com o Google, enquanto o jornal O Estado de S. Paulo anunciou colaboração semelhante com foco no Gemini. No mesmo período, a Meta fechou contratos com veículos como CNN, Fox News e Le Monde para alimentar seus sistemas de inteligência artificial.

Desde 2023, empresas de mídia e tecnologia têm intensificado esse tipo de cooperação nos Estados Unidos e na Europa, buscando adaptar modelos de negócios e produção jornalística às transformações impulsionadas pela IA.

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