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Fundo ligado ao Banco Master declara à CVM ações da Forbes Brasil

Documento enviado à CVM aponta participação de R$ 113,7 milhões na empresa da Forbes Brasil; controladores negam qualquer vínculo societário com o fundo

Fundo ligado ao Banco Master declara à CVM ações da Forbes Brasil (Foto: Divulgação )
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247 - O fundo Eagle Eye Investments, integrante da rede de fundos associada ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, declarou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) possuir uma participação acionária avaliada em R$ 113,7 milhões na FRBS Participações S.A., empresa responsável pelo licenciamento da marca Forbes no Brasil. As informações constam de documentos encaminhados à autarquia e revelados inicialmente pela Folha de S.Paulo, com desdobramentos publicados pelo Estadão.

Segundo a documentação apresentada à CVM, o Eagle Eye informou deter a totalidade das ações da FRBS Participações. A empresa, no entanto, contesta integralmente essa informação. Em nota enviada à reportagem, a diretora-executiva da Forbes Brasil, Katarina Camarotti, afirmou que a composição societária da companhia permanece inalterada.

"A FRBS/Forbes BR não tem nem nunca teve qualquer sócio/acionista para além de Antonio Camarotti e Katarina Camarotti. Tampouco há qualquer pessoa ou entidade com direito a deter participação na nossa empresa", declarou Katarina.

Documentos enviados à CVM

Além da nota encaminhada ao Estadão, Katarina afirmou à Folha de S.Paulo desconhecer a origem das informações registradas pelo fundo perante a CVM.

"Não temos conhecimento do porquê isso aconteceu. O que posso afirmar novamente é que isso que foi reportado está errado", disse.

Os registros enviados pela administradora do Eagle Eye, a Reag Investimentos, correspondem ao período entre 10 de outubro e 30 de novembro de 2024, fase inicial de funcionamento do fundo. Conforme o relatório, o Eagle Eye possuía 225.349 ações da FRBS Participações, avaliadas em R$ 113,7 milhões.

Aquisição teria ocorrido por mútuo conversível

A demonstração financeira informa que as ações teriam sido adquiridas por meio de um contrato de mútuo conversível em participação societária, modalidade na qual um empréstimo pode ser quitado com ações da empresa.

Ao ser questionada especificamente sobre essa operação financeira, a Forbes Brasil não comentou o suposto contrato na nota enviada ao Estadão. Já à Folha, Katarina negou que qualquer operação desse porte tenha existido.

"Nunca foi contabilizado qualquer mútuo dessa dimensão na Forbes Brasil, nem houve conversão em ações."

Ela também afirmou que Daniel Vorcaro e o Banco Master não possuem participação societária na empresa e tampouco qualquer direito de adquiri-la futuramente.

Outras inconsistências aparecem nos registros

O sistema da CVM também registra outro ativo relevante na carteira do Eagle Eye: um contrato de mútuo conversível em ações no valor de R$ 100 milhões. Entretanto, o documento não identifica a empresa relacionada ao ativo.

Além disso, o cadastro informa um CNPJ inexistente para essa operação, conforme consulta realizada pelo Estadão à base da Receita Federal.

Outro trecho da documentação menciona um acordo para que Antonio Camarotti, identificado como controlador da FRBS, vendesse parte de suas ações diretamente ao Eagle Eye. A informação chama atenção porque o mesmo relatório afirma que o fundo já seria proprietário de 100% das ações da companhia.

Registros oficiais divergem da declaração do fundo

Consultas realizadas pelo Estadão à Junta Comercial do Estado de São Paulo mostram que Antonio Camarotti e Katarina Camarotti figuram como únicos acionistas registrados da FRBS Participações nos últimos anos.

Embora sociedades anônimas não sejam obrigadas a divulgar integralmente a relação de acionistas em registros públicos, Katarina afirmou que a ausência de qualquer alteração societária reforça a inexistência da participação declarada pelo Eagle Eye.

"A ausência de qualquer referência em Junta Comercial, atas de assembleias etc. confirma que não há acionistas para além dos dois já citados, Antonio e Katarina Camarotti", afirmou.

Em dezembro de 2025, a FRBS aprovou a distribuição de R$ 16 milhões em dividendos aos acionistas. A ata da assembleia registra Antonio Camarotti como presidente e Katarina Camarotti como secretária da reunião, sem detalhar os beneficiários dos dividendos.

Fundo integra investigação sobre o Banco Master

O Eagle Eye faz parte da carteira do fundo Astralo 95, citado em decisão da Justiça de São Paulo que determinou o protesto contra a venda de diversos bens ligados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.

A medida foi solicitada pelo liquidante da instituição financeira com o objetivo de preservar patrimônio que possa ser utilizado para ressarcir credores supostamente prejudicados pelas fraudes investigadas.

A administradora do Eagle Eye, a Reag Investimentos, foi submetida à liquidação extrajudicial pelo Banco Central no início deste ano. A empresa também é alvo de investigação da Polícia Federal, que apura se fundos administrados por ela teriam sido utilizados em operações fraudulentas relacionadas ao Banco Master.

Ligações com veículos de comunicação

As investigações envolvendo Daniel Vorcaro também alcançam sua relação com empresas de comunicação. Conforme revelou o Estadão em reportagens anteriores, o ex-banqueiro, pessoas de seu entorno e empresas ligadas ao Banco Master mantiveram relações societárias, financeiras ou comerciais com diversos veículos de imprensa.

Entre eles estão PlatôBR, Brazil Journal, revista Isto É, Metrópoles e o Portal Leo Dias.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro demonstrava preocupação com a cobertura jornalística sobre sua atuação e sobre o Banco Master durante o agravamento da crise enfrentada pela instituição.

Segundo as investigações, ele também teria orientado respostas da Rioprevidência a questionamentos enviados pelo Estadão e reclamado da publicação de uma reportagem sobre o filme Dark Horse, obra financiada por ele e centrada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A notícia acabou sendo retirada do ar após a reclamação, conforme revelou o portal The Intercept.

A Polícia Federal ainda investiga suspeitas de pagamentos relacionados a veículos de comunicação e empresas ligadas ao caso Master. Os envolvidos citados nas investigações negam irregularidades ou afirmam que as operações tinham natureza comercial legítima.

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