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Cidade paulista que investiu R$ 98 milhões no Master autorizou consignado no Digimais

São Roque liberou crédito consignado no banco ligado a Edir Macedo um ano após aplicar recursos da previdência municipal no Banco Master

Cidade paulista que investiu R$ 98 milhões no Master autorizou consignado no Digimais (Foto: Divulgação)
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247 - A Prefeitura de São Roque, no interior de São Paulo, autorizou servidores públicos municipais, incluindo aposentados, a contratarem empréstimos consignados junto ao Banco Digimais cerca de um ano após destinar R$ 98 milhões da previdência municipal ao Banco Master. As informações foram publicadas pelo portal Metrópoles nesta quarta-feira (24).

Segundo a reportagem, a autorização para operações de crédito consignado ocorreu em outubro de 2025, quando o Digimais já enfrentava questionamentos públicos sobre sua situação financeira. O banco, ligado ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, foi alvo de uma operação da Polícia Federal na terça-feira (23), que cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à instituição.

A investigação apura suspeitas de manipulação de balanços, fraudes em registros regulatórios e inflação artificial de ativos para ocultar a real condição financeira do banco. As condutas investigadas podem configurar crimes contra o sistema financeiro nacional. Edir Macedo não foi alvo direto da operação por residir fora do Brasil, mas a Justiça determinou a quebra de seu sigilo bancário e o bloqueio de seus bens.

Autorização para crédito consignado

O contrato firmado por São Roque para a oferta de crédito consignado teve validade de um ano. Nessa modalidade, as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento dos servidores, o que reduz os riscos de inadimplência para as instituições financeiras e geralmente resulta em taxas de juros mais baixas para os contratantes.

De acordo com a publicação, quando o município autorizou as operações, o mercado financeiro já acompanhava dificuldades enfrentadas pelo Digimais. Meses antes, o Banco Central havia rejeitado a venda da instituição ao BlueBank, controlado por Maurício Quadrado.

Quadrado é ex-sócio do Banco Master e, segundo a reportagem, também foi investigado pela Polícia Federal em apurações relacionadas a supostos crimes atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus parceiros.

Relação entre investimentos e operações de crédito

O caso chamou a atenção do deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP), que realizou um levantamento sobre municípios paulistas que permitiram operações de crédito consignado com o Digimais. Na avaliação do parlamentar, existe uma conexão entre a destinação de recursos públicos a determinadas instituições financeiras e a ampliação de suas operações de crédito.

“Esses movimentos demonstram que as operações de crédito e as aplicações de recursos públicos não são eventos desconexos. Trata-se de um ecossistema complexo onde o endividamento do servidor e a alocação de milhões do erário municipal convergem sob a gestão de instituições financeiras interligadas”, afirmou Fiorilo.

Ainda segundo o deputado, além de São Roque, outras cidades paulistas também celebraram contratos para consignados com o Digimais em 2025. Entre os municípios citados estão São José do Rio Preto, Tambaú e São Sebastião.

Expansão do consignado em São Paulo

A reportagem também aponta que a Polícia Militar do Estado de São Paulo autorizou operações de crédito consignado com o Banco Digimais um mês antes da medida adotada pela Prefeitura de São Roque.

A abertura desse mercado representou uma oportunidade relevante para a instituição financeira, já que a corporação reúne mais de 80 mil policiais militares em atividade.

O avanço das operações de consignado ocorreu em um contexto de dificuldades financeiras enfrentadas pelo banco. Conforme relatórios técnicos divulgados entre 2024 e 2025, o patrimônio do Digimais foi impactado por problemas de inadimplência que se agravaram após a pandemia de Covid-19.

Crise financeira e aportes

Os documentos mencionados pela reportagem indicam que a instituição precisou receber aportes recorrentes de seu controlador, Edir Macedo, para manter suas operações e evitar um agravamento da crise financeira.

As dificuldades enfrentadas pelo banco já eram observadas por órgãos reguladores e pelo mercado financeiro antes da autorização concedida por São Roque para a oferta de crédito consignado aos servidores municipais.

O caso ganhou nova repercussão após a operação da Polícia Federal, que investiga a real situação patrimonial da instituição e possíveis irregularidades em seus registros contábeis e regulatórios.

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