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Lenda do humor no rádio e na TV, Nelson Tatá Alexandre morre aos 84 anos

A morte foi confirmada pelo Museu Brasileiro de Rádio e Televisão

Humorista Nelson Tatá Alexandre (Foto: Reprodução (Instagram))

247 - O humorista e radialista Nelson Tatá Alexandre faleceu na noite de quinta-feira (12), aos 84 anos, vítima de complicações decorrentes de hemodiálise. A morte foi confirmada pelo Museu Brasileiro de Rádio e Televisão (MBRTV), que também prestou homenagem ao artista em suas redes sociais. O velório foi realizado no Cemitério Vila Mariana, em São Paulo. Os relatos foram publicados no Portal G1

Segundo o MBRTV, Tatá enfrentava problemas renais há algum tempo. Em nota de pesar publicada pela instituição, o comunicador foi descrito como um dos grandes nomes da radiodifusão nacional. "Um dos gigantes do humor e da comunicação, Tatá marcou a história da nossa radiodifusão brilhando na Rádio Jovem Pan (no Show de Rádio) e ao lado de Fausto Silva no lendário Perdidos na Noite", registrou o museu, que também estendeu solidariedade aos filhos Marisa, Marina e Leandro, além de familiares, amigos e fãs.

Uma carreira que começou na infância

Nelson Francisco Alexandre — nome de registro do artista — nasceu em 14 de maio de 1941. Sua relação com o microfone começou muito cedo: ainda criança, com apenas seis anos, já se apresentava como cantor em uma emissora de rádio em Araçatuba, interior de São Paulo. A precocidade seria o ponto de partida de uma trajetória que duraria décadas e o levaria a alguns dos maiores veículos de comunicação do país.

Ainda no interior paulista, passou pela rádio de Regente Feijó, onde acumulou funções de cantor e operador de som. Em 1958, integrou a equipe da Rádio Marabá, em Mogi das Cruzes, e em 1962 chegou à Rádio Metropolitana. Dois anos depois, em 1964, ganhou projeção no programa "Amostra Grátis", da Rádio Record.

A década dourada na Jovem Pan

O período entre 1969 e 1979 marcou uma das fases mais produtivas de Nelson Tatá. Na Rádio Jovem Pan, ele integrou o elenco de atrações que se tornaram referência no humor radiofônico paulistano, participando de programas como "Curtição", "Fala Bicho Fala", "Domingo Especial", "Jornal da Integração Nacional", "Sala do Povo", "São Paulo Agora", "Flash" e o consagrado "Show de Rádio".

Ao deixar a Jovem Pan, migrou para a Rádio Globo, onde trabalhou no programa "Pé na Estrada". Na sequência, ainda dentro do grupo, foi para a Rádio Excelsior, onde participou de atrações como "Pau na Máquina", "Largo da Matriz" e "Balancê" — este último em 1981, ao lado de um então jovem Fausto Silva.

Televisão e a dupla com Carlos Roberto Escova

A televisão também reservou espaço importante na trajetória do humorista. Entre 1984 e 1989, Nelson Tatá integrou o elenco do "Perdidos na Noite", programa exibido pela TV Gazeta, TV Record e Rede Bandeirantes. Foi nesse período que consolidou sua parceria com Carlos Roberto Escova, dupla que o MBRTV classificou como "inesquecível" pelo "jeito irreverente e hilariante" que conquistou ouvintes e telespectadores. Juntos, os dois também participaram de quadros de humor no "Viva a Noite", no SBT, apresentado por Augusto Liberato, o Gugu.

Um arsenal de personagens

Parte do talento de Nelson Tatá residia em sua capacidade de criar e habitar personagens. Ao longo da carreira, ele deu vida a figuras como Chicrinha, Omar Caloso, Caim Sued, Severino Van Gogó, Bertoldo, Giro Gomo, Afanado Já Sabe, Noninha, Maguila, Mosquito da Dengue, Jumento e Cachorro no Cio, entre outros. Também fez imitações de personalidades públicas como Lula, Marta Suplício, Papa, Edir Mais Cedo e José Sarey. Em 1975, ainda marcou presença no teatro, com participação na peça "Muro de Arrimo".

O fim da carreira e os últimos anos

Após uma última passagem pela Jovem Pan na década de 1990 — quando integrou o elenco do programa Pânico —, Nelson Tatá encerrou a carreira de forma abrupta em 1997, quando sofreu um aneurisma cerebral. A partir daquele momento, o humorista passou a viver ao lado da família e de amigos próximos, longe dos estúdios que o consagraram ao longo de mais de quatro décadas de trabalho.

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