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SBT avalia medidas contra Ratinho após falas sobre Erika Hilton

O caso segue em análise tanto no âmbito jurídico quanto dentro da própria emissora

Em menos de 30 minutos, tal vídeo já tem mais de 35 mil visualizações e alguns vários comentários nas redes sociais; “Será que tem tanto viado assim?”, pergunta o apresentador no final do vídeo (Foto: Charles Nisz)

247 - A direção do SBT avalia quais medidas poderá adotar após as declarações transfóbicas do apresentador Ratinho sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Segundo informações da coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a emissora pretende inicialmente se reunir com o comunicador para discutir o caso antes de decidir eventuais providências.

A controvérsia surgiu após Ratinho fazer comentários sobre a escolha de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. As falas foram exibidas no próprio programa do apresentador e geraram forte repercussão nas redes sociais e no meio político.

Nos bastidores da emissora, há pressão para que alguma atitude seja tomada, de modo a evitar que a crise afete a imagem institucional do canal. Executivos ouvidos pela coluna afirmaram que o caso deverá ter algum tipo de desdobramento, embora ainda não esteja definido qual será a natureza das possíveis medidas.

Desde 2009, Ratinho mantém com o SBT um modelo de parceria empresarial para a produção do Programa do Ratinho. Diferentemente do período anterior — quando atuava apenas como contratado da emissora entre 1998 e 2008 —, o apresentador atualmente divide custos e lucros da atração com a empresa da família Abravanel. Por conta desse formato societário, ele não pode ser advertido da mesma maneira que um funcionário convencional.

Ainda assim, o contrato prevê cláusulas que podem gerar sanções. Entre elas, está a responsabilidade do apresentador por eventuais condenações judiciais ou prejuízos legais provocados pelo conteúdo exibido no programa. Caso a atração traga danos financeiros ou institucionais à emissora, Ratinho também pode ser responsabilizado.

Diante desse cenário, a direção do SBT analisa se as declarações podem ter provocado impactos negativos para a empresa. A tendência, segundo pessoas próximas à emissora, é que qualquer eventual punição seja tratada internamente e não seja divulgada publicamente.Ratinho possui uma relação próxima com a família Abravanel, que controla o SBT, e exerce influência nos bastidores da emissora. Além de opinar sobre rumos da programação, ele também costuma indicar profissionais para contratação. O apresentador integra ainda um grupo informal conhecido internamente como “conselho”, que participa de algumas discussões estratégicas da emissora, ao lado de nomes como César Filho e Celso Portiolli.

Procurado pela coluna, o SBT afirmou que está analisando o caso e reiterou que as declarações do apresentador não representam o posicionamento institucional da empresa."O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa", informou a emissora em nota.

As falas de Ratinho foram feitas durante um comentário sobre a indicação de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Ao abordar o tema, o apresentador questionou a escolha da parlamentar para o cargo."Tem tanta muié, porque vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans", afirmou. "Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…"Em seguida, ele acrescentou: "Mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias". "Vocês pensam que a dor do parto é fácil?"Ratinho também colocou em dúvida a capacidade da deputada para compreender as demandas femininas. "Vamos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar. Estão exagerando", disse.

Após a repercussão das declarações, Erika Hilton decidiu acionar a Justiça. Além da ação judicial, Hilton solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão do Programa do Ratinho por 30 dias, alegando que as falas configuram discriminação e violam princípios constitucionais de respeito à dignidade humana.

O caso segue em análise tanto no âmbito jurídico quanto dentro da própria emissora, que ainda avalia quais serão os próximos passos diante da polêmica.

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