África do sul declara diplomata israelense persona non grata e dá prazo de 72 horas para sair do país
Pretória ordena saída do encarregado de negócios de Israel após acusar violações diplomáticas e ofensas ao presidente Cyril Ramaphosa
247 - O governo da África do Sul declarou persona non grata o encarregado de negócios de Israel em Pretória e determinou que ele deixe o país no prazo de 72 horas. A decisão foi comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores sul-africano e representa um novo capítulo no agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países.
Segundo a chancelaria, Ariel Seidemann, diplomata de mais alto escalão do regime de Tel Aviv na capital sul-africana, foi notificado formalmente na sexta-feira sobre a ordem de retirada. A medida, de acordo com o governo, está relacionada a uma série de comportamentos considerados incompatíveis com as normas e práticas diplomáticas internacionais.
A informação foi divulgada originalmente pela emissora HispanTV, que acompanha de perto os desdobramentos da política externa sul-africana.Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores destacou que as ações atribuídas ao diplomata configuram violação direta da soberania nacional.
O texto aponta que “essas violações incluem o uso repetido de plataformas oficiais de mídia social israelenses para insultar o presidente Cyril Ramaphosa, bem como a omissão deliberada de informar o Ministério das Relações Exteriores [sul-africano] sobre supostas visitas de altos funcionários sionistas”.A decisão ocorre em um contexto de forte repercussão da guerra em Gaza na sociedade sul-africana.
O país abriga a maior comunidade judaica da África subsaariana, ao mesmo tempo em que é reconhecido internacionalmente como um dos principais apoiadores da causa palestina. Esse posicionamento tem se refletido tanto em ações diplomáticas quanto em manifestações populares em diversas regiões do país.Em novembro, o ministro das Relações Exteriores da África do Sul, Ronald Lamola, já havia denunciado um “plano flagrante para expulsar palestinos de Gaza, da Cisjordânia e das áreas circundantes”.
A declaração foi feita após a chegada de cerca de 150 palestinos ao aeroporto de Joanesburgo sem o carimbo de saída israelense em seus passaportes, episódio que levantou suspeitas sobre deslocamentos forçados.
A ordem de expulsão do diplomata israelense também se insere no apoio contínuo de Pretória à causa palestina e na rejeição às políticas da ocupação sionista. Esse posicionamento tem sido acompanhado por protestos crescentes em solidariedade à Palestina em países africanos e árabes.As relações entre o governo sul-africano e o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deterioraram-se de forma significativa desde o final de 2023, quando a África do Sul apresentou uma queixa contra Israel ao Tribunal Internacional de Justiça, acusando o país de cometer genocídio na Faixa de Gaza. Desde então, Pretória tem reiterado que iniciativas como acordos de trégua não alteram o andamento do processo em curso na corte internacional.

