Agressões de Israel deixam uma "sala de aula" de crianças mortas ou feridas por dia no Líbano, diz UNICEF
Dados do Ministério da Saúde libanês apontam que ao menos 111 crianças foram assassinadas em ataques israelenses desde o início do conflito
247 - As agressões de Israel ao Líbano têm provocado, diariamente, o equivalente a uma sala de aula de crianças mortas ou feridas desde o início do conflito, há duas semanas. A avaliação é de um alto representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), segundo informações da agência Reuters. Dados do Ministério da Saúde libanês apontam que ao menos 111 crianças morreram e 334 ficaram feridas em ataques israelenses desde 2 de março.
O número representa uma média próxima de 30 vítimas infantis por dia. "Isso representa uma sala de aula de crianças, todos os dias desde o início da guerra, que são mortas ou feridas no Líbano", afirmou Ted Chaiban, vice-diretor executivo do UNICEF, em entrevista. As mortes no país integram um cenário mais amplo na região, onde cerca de 1.200 crianças foram assassinadas nas últimas semanas, incluindo quase 200 no Irã, quatro em Israel e uma no Kuwait.
"Elas pagaram um preço terrível. E a primeira coisa que pedimos é uma desescalada, um caminho político para encerrar essa guerra", disse Chaiban. Os bombardeios já deixaram mais de 900 mortos no Líbano desde o início de março, além de provocar o deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas após ordens de evacuação emitidas pelas forças israelenses.
Entre os deslocados estão cerca de 350 mil crianças. "Isso está desestruturando completamente a vida das crianças. Sem casa, sem escola, sem qualquer sensação de normalidade", afirmou o representante da UNICEF. Parte das famílias voltou a se abrigar em escolas públicas, repetindo o cenário observado em 2024, durante confrontos anteriores entre Hezbollah e Israel. Muitas dessas unidades foram convertidas em centros de acolhimento.
O impacto na educação se soma a uma sequência de crises recentes no país, como o colapso financeiro de 2019, a explosão no porto de Beirute e a pandemia de COVID-19, que já haviam afetado o aprendizado. Uma mulher deslocada para uma escola em Beirute relatou que seus filhos não têm acesso integral ao conteúdo escolar. "Eles não estão recebendo o conteúdo como deveriam. Não têm todas as matérias. Uma criança do quinto ano está recebendo conteúdo de primeiro ano", afirmou.
ONU alerta para situação humanitária
Famílias deslocadas relatam dificuldades nas condições dos abrigos, com fornecimento limitado de energia, ausência de aquecimento e escassez de água e banheiros. A UNICEF informou que tem distribuído água, kits de higiene, roupas de frio e cobertores para as populações afetadas, além de assistência a moradores que permanecem no sul do país, região intensamente bombardeada e considerada zona de risco.
A organização também pediu a proteção de estruturas civis durante o conflito. "Não há justificativa para ataques à infraestrutura de saúde, de água ou a escolas. Todos esses locais precisam ser protegidos", afirmou Chaiban. De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, ao menos 38 profissionais de saúde foram mortos desde o início dos ataques em março. Diante do cenário de destruição e da posição da UNICEF, Israel afirma que não atinge civis de forma deliberada e sustenta que emite alertas prévios para permitir a evacuação antes dos ataques.


