Israel intensifica bombardeios em Beirute e amplia ofensiva no Líbano
Ataques aéreos atingem capital e outras regiões, deixando mortos, feridos e agravando crise humanitária no país
247 - Uma nova onda de bombardeios israelenses atingiu o Líbano nesta quarta-feira (18), incluindo um ataque direto ao centro de Beirute, que deixou ao menos seis mortos e dezenas de feridos. Os ataques também alcançaram regiões do sul e do leste do país, em meio à expansão das operações terrestres israelenses no território libanês.
Segundo informações divulgadas pela Al Jazeera, com base em dados da Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) e do Ministério da Saúde Pública libanês, os ataques desta quarta-feira resultaram em pelo menos 20 mortes e 24 feridos em diferentes partes do território. A ofensiva integra um cenário mais amplo de escalada militar na região.
No bairro de Bashoura, no coração da capital libanesa, um prédio foi atingido após um alerta de evacuação emitido por Israel. A explosão provocou uma grande coluna de fumaça, evidenciando a intensidade do ataque. De acordo com a correspondente da Al Jazeera em Beirute, Zeina Khodr, os bombardeios foram intensos durante a noite e atingiram diversas áreas do país.
Diante de um edifício de 15 andares atingido, Khodr relatou que a estrutura já havia sido parcialmente atacada dias antes, mas acabou completamente destruída na madrugada. Segundo ela, o exército israelense afirmou que o local seria utilizado pelo Hezbollah para armazenar recursos financeiros. “É possível ver os danos generalizados em toda a vizinhança”, afirmou a jornalista.
Além da capital, ataques também foram registrados na cidade de Tiro e na área próxima de Al-Burj Al-Shamali, ainda antes do amanhecer. No leste do país, na região do Vale do Bekaa, pelo menos quatro pessoas morreram após um ataque que atingiu quatro casas na cidade de Sahmar.
O Exército israelense declarou ter iniciado operações terrestres no sul do Líbano, acompanhadas de ordens de evacuação para moradores de quatro cidades próximas ao rio Zahrani e à região de Tiro. A população foi orientada a se deslocar imediatamente para o norte.
Desde o início da ofensiva israelense, em 2 de março, ao menos 912 pessoas morreram no Líbano, incluindo 111 crianças, e mais de 2.200 ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde libanês. A agressão israelense já provocou o deslocamento de mais de um milhão de pessoas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que os ataques a áreas residenciais e infraestrutura civil podem configurar crimes de guerra, conforme o direito internacional humanitário. Um porta-voz do escritório de direitos humanos da entidade afirmou que atacar deliberadamente civis ou estruturas civis “equivale a um crime de guerra” e também apontou possíveis violações nas ordens massivas de deslocamento no sul do país.
Ainda de acordo com Khodr, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, estabeleceu condições para o fim do conflito, incluindo a interrupção dos ataques israelenses, o retorno dos deslocados às suas casas, a libertação de detidos e a retirada das tropas de Israel do território libanês.
Apesar da ofensiva israelense, o Hezbollah mantém presença ativa no sul do Líbano. Segundo a correspondente, o grupo “ainda está presente na área, tentando repelir o avanço do exército israelense”, com o objetivo de impedir que Israel consolide novas posições no país.


