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Aliada de Trump, Meloni cobra respeito ao papel da Itália na missão da Otan no Afeganistão

Primeira-ministra afirma que declarações do presidente dos EUA desconsideram o sacrifício dos aliados e lembra 53 soldados italianos mortos

Trump elogiou a “posição muito dura de Meloni em relação à imigração” (Foto: EVELYN HOCKSTEIN/REUTERS)

247 - A primeira-ministra da Itália da extrema direita, Giorgia Meloni, rechaçou por meio de postagem nas redes sociais as declrações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas quais ele afirma que países aliados da Otan “ficaram para trás” durante as operações militares no Afeganistão.

No texto, Meloni afirma que o governo italiano recebeu “com surpresa” as declarações de Trump e ressalta que, após os atentados de 11 de setembro de 2001, a Otan ativou o Artigo 5 — cláusula de defesa coletiva — “pela primeira e única vez em sua história”, em um gesto de solidariedade direta aos Estados Unidos.

A primeira-ministra destaca que a Itália respondeu de forma imediata ao chamado da aliança, deslocando milhares de militares e assumindo a responsabilidade integral pelo Comando Regional Oeste, uma das áreas mais relevantes da missão internacional no Afeganistão.

“Nessa grande operação contra quem alimentava o terrorismo, a Itália respondeu imediatamente junto aos aliados, destacando milhares de militares e assumindo plena responsabilidade pelo Regional Command West”, afirmou.

Meloni enfatizou o custo humano do envolvimento italiano ao longo de quase 20 anos de presença militar no país asiático. Segundo ela, 53 soldados italianos morreram e mais de 700 ficaram feridos em operações de combate, segurança e treinamento das forças afegãs.

“A nossa Nação sustentou um custo que não pode ser colocado em dúvida: 53 soldados italianos mortos e mais de 700 feridos”, declarou.

Meloni classificou como “inaceitáveis” as afirmações que minimizam a contribuição dos países da Otan no Afeganistão, especialmente quando partem de um aliado estratégico como os Estados Unidos.

“Não são aceitáveis afirmações que minimizam o contributo dos países da Otan no Afeganistão, sobretudo se provenientes de uma Nação aliada”, escreveu.

Meloni fez questão de sublinhar que a parceria com os EUA precisa ser sustentada pelo respeito mútuo. “A amizade, porém, necessita de respeito, condição fundamental para continuar a garantir a solidariedade que está na base da Aliança Atlântica”, concluiu.

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