Amorim vê mudança de clima entre Brasil e EUA: "Humor mudou"
“É isso que cabe fazer a chefes de Estado. O humor mudou e os acordos virão das conversas entre ministros e técnicos”, disse Amorim
247 - O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou que o clima político entre Brasil e Estados Unidos mudou após a reunião entre o presidente Lula e o presidente norte-americano Donald Trump, realizada nessa quinta-feira (7), na Casa Branca.
As informações são da CNN Brasil. Em entrevista à emissora, Amorim avaliou que o encontro de cerca de três horas teve saldo “muito positivo” e ajudou a criar bases políticas para que os dois países avancem em conversas sobre diferentes temas da relação bilateral.
“É isso que cabe fazer a chefes de Estado. O humor mudou e os acordos virão das conversas entre ministros e técnicos”, disse Amorim.
Para o ex-chanceler, que é um dos principais conselheiros de Lula em política externa, o encontro teve importância política por abrir espaço para negociações posteriores. Segundo Amorim, a aproximação entre os dois presidentes permite que áreas técnicas dos governos deem sequência a tratativas comerciais e diplomáticas.
O assessor afirmou ainda que o caminho entre Brasil e Estados Unidos “está pavimentado”. A avaliação indica que, depois de um período de relação conturbada e de críticas públicas entre Lula e Trump, os dois governos passaram a contar com um ambiente mais favorável para dialogar.
Após o encontro, Lula disse que espera a retirada das tarifas que ainda atingem produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. O presidente também afirmou estar disposto a negociar um acordo com Washington sobre a exploração de terras raras em território brasileiro.
Do lado norte-americano, Trump elogiou Lula e classificou a reunião como positiva. O presidente dos Estados Unidos também sinalizou a possibilidade de acordos comerciais em médio prazo, embora os detalhes devam ser tratados posteriormente por ministros e equipes técnicas.
O encontro ocorreu após meses de tensão política entre os dois países. Antes da reunião, Lula e Trump haviam trocado críticas públicas, em um contexto marcado por divergências diplomáticas e comerciais. A conversa na Casa Branca foi interpretada por Amorim como um gesto capaz de reduzir ruídos e reorganizar a agenda bilateral.
A reunião também teve peso simbólico por reunir dois líderes que vinham mantendo uma relação considerada difícil. A imagem dos presidentes sorridentes durante o encontro foi divulgada em meio à expectativa de que o diálogo possa produzir resultados concretos nos próximos meses.
Entre os temas que devem permanecer na mesa estão tarifas comerciais, investimentos, cooperação econômica e a eventual participação dos Estados Unidos em projetos ligados às terras raras no Brasil. Esses minerais são considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia e defesa.
A fala de Amorim sugere que o Planalto vê a reunião como uma etapa inicial de reaproximação, e não como um encerramento das negociações. A partir de agora, caberá aos ministros e técnicos dos dois países transformar o novo ambiente político em acordos específicos.
Mesmo sem anúncios imediatos de medidas concretas, o governo brasileiro avalia que o encontro estabeleceu um ponto de partida para uma relação menos marcada por confrontos públicos e mais orientada por negociações diretas.


