Ataques de Israel matam paramédicos e jornalistas no Líbano
Governo libanês denuncia mortes durante missões de resgate e critica violação de normas internacionais de proteção a civis
247 - A escalada militar de Israel no Líbano provocou novas mortes entre equipes de resgate e profissionais da imprensa neste sábado (28), aprofundando a crise humanitária no país. O governo libanês afirma que os ataques atingiram diretamente trabalhadores em serviço, incluindo paramédicos e jornalistas.
Segundo o ministro da Saúde do Líbano, Rakan Nassereddine, ao menos 46 socorristas e cinco profissionais de saúde morreram desde o início dos ataques contra o Hezbollah, em 1º de março. Apenas neste sábado, nove paramédicos estão entre as vítimas.
De acordo com o ministro, os mortos atuavam em organizações ligadas a grupos políticos da região e foram atingidos enquanto participavam de operações de resgate. Parte das vítimas integrava estruturas associadas ao Hezbollah, enquanto outras estavam vinculadas ao movimento Amal, aliado do grupo.
Além das equipes de emergência, o sábado também foi marcado pela morte de profissionais da imprensa. Um ataque contra um veículo no sul do país matou o repórter Ali Shaib e a jornalista Fatima Ftouni. Posteriormente, foi confirmada também a morte do cinegrafista Mohammed Ftouni, que estava no mesmo carro.
As Forças Armadas de Israel afirmaram, em comunicado, que o alvo da ação era Shaib, a quem classificaram como integrante da inteligência do Hezbollah. Os militares alegaram que ele atuava fornecendo informações sobre posições israelenses e promovendo incitação. O Exército não comentou as demais mortes.
A reação do governo libanês foi imediata. O presidente Joseph Aoun condenou o episódio e declarou que os mortos eram civis em exercício profissional. “É um crime descarado que viola todos os tratados e normas pelos quais os jornalistas gozam de proteção internacional em tempos de guerra”, afirmou.
O episódio ocorre poucos dias após a morte de outro jornalista libanês, também atribuída a bombardeios israelenses. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) alerta para o aumento do número de profissionais de imprensa mortos no Oriente Médio desde o agravamento do conflito envolvendo Israel e Irã.


