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Israel intensifica ataques e ministro propõe anexar sul do Líbano

Declarações de Bezalel Smotrich elevam tensão enquanto ofensiva já deixou milhares de vítimas e mais de 1,2 milhão de deslocados

Local atingido por ataque israelense em Beirute 18/3/2026 (Foto: Khalil Ashawi/Reuters)

247 - A intensificação da ofensiva militar de Israel no sul do Líbano ganhou um novo capítulo com declarações do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que defendeu a anexação da região ao território israelense. A proposta surge em meio a uma escalada de ataques que já resultaram em centenas de mortes e em uma grave crise humanitária no país vizinho.

De acordo com reportagem da Al Jazeera, publicada nesta segunda-feira (23), Smotrich afirmou que a atual ofensiva deve levar a uma mudança territorial significativa, sugerindo que o rio Litani passe a ser a nova fronteira de Israel. A declaração ocorre enquanto as forças israelenses ampliam bombardeios e operações terrestres no sul do Líbano.

Declarações elevam tensão regional

Em entrevista a uma rádio israelense, Smotrich foi enfático ao defender a redefinição das fronteiras. “Digo aqui, de forma definitiva… em todas as salas e em todas as discussões também: a nova fronteira israelense deve ser o rio Litani”, afirmou o ministro.

Ele também destacou que os ataques em curso não devem terminar sem mudanças estruturais. Segundo suas palavras, o bombardeio “precisa terminar com uma realidade completamente diferente”, incluindo uma “mudança nas fronteiras de Israel”.

O rio Litani, mencionado pelo ministro, é um dos principais cursos d’água do sul do Líbano e está localizado a cerca de 30 quilômetros da atual fronteira entre os dois países.

Ofensiva militar e denúncias internacionais

As declarações acontecem enquanto Israel intensifica ataques aéreos e terrestres contra o território libanês. Infraestruturas civis, como pontes, residências e centros de saúde, têm sido atingidas, o que levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a alertar que as ações podem configurar crimes de guerra.

Além dos bombardeios, tropas israelenses avançaram em território libanês, em uma operação que, segundo o governo israelense, tem como objetivo eliminar combatentes do Hezbollah, o qual segue lançando ataques contra o norte de Israel e enfrentando as forças invasoras.

Impacto humanitário crescente

O conflito tem causado consequências severas para a população civil. Dados do Ministério da Saúde do Líbano apontam que, desde o início de março, ao menos 1.039 pessoas foram mortas, incluindo 118 crianças, e outras 2.876 ficaram feridas.

A ONU estima que mais de 1,2 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, o que representa cerca de um quinto da população do país. Segundo o porta-voz do secretário-geral António Guterres, Stephane Dujarric, a situação é crítica.

“Mais de 130 mil pessoas, incluindo cerca de 46 mil crianças, estão atualmente abrigadas em mais de 600 locais coletivos em todo o país, a maioria dos quais já está com capacidade máxima”, afirmou Dujarric.

Estratégia de isolamento do sul do Líbano

Autoridades libanesas demonstram preocupação com a destruição sistemática de pontes que conectam o sul do país à capital, Beirute, e a outras regiões. A avaliação é de que essas ações podem indicar preparação para uma intensificação da ofensiva terrestre.

A jornalista Zeina Khodr, da Al Jazeera, relatou que há sinais claros de uma estratégia de isolamento da região. “O exército israelense vem destruindo infraestrutura em todo o sul do Líbano”, disse. “Parece fazer parte de uma estratégia para despovoar toda a região sul.”

Além disso, a ONU e organizações humanitárias alertam para ataques contra profissionais de saúde. A Organização Mundial da Saúde registrou ao menos 64 ataques a instalações médicas, com 51 mortes e 91 feridos.

Na semana anterior, a Anistia Internacional também pediu o fim dessas ações, destacando que trabalhadores da saúde estão “especificamente protegidos pelo direito internacional”.

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