Brasil e União Europeia iniciam diálogo sobre veto à carne brasileira
Governo brasileiro busca reverter decisão da União Europeia que excluiu o país da lista de exportadores de carnes ao bloco
247 - Brasil e União Europeia iniciam diálogo sobre veto à carne brasileira após o bloco excluir o país da lista de nações autorizadas a exportar carnes ao mercado europeu.
Representantes do governo brasileiro e da União Europeia começaram, nesta quarta-feira (13), uma rodada de reuniões presenciais para discutir a decisão do bloco europeu, publicada na terça-feira (12), que retirou o Brasil da relação de países aptos a vender determinados produtos de origem animal para o mercado europeu.
Em Brasília, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, tem reunião marcada pela manhã com a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf. O encontro ocorre em meio à tentativa do governo brasileiro de compreender os fundamentos da medida e buscar uma solução pela via diplomática.
Ao mesmo tempo, em Bruxelas, o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, deve se reunir com representantes do órgão sanitário europeu. O objetivo é obter explicações mais detalhadas sobre a sanção aplicada ao Brasil e avaliar os caminhos possíveis para tentar reverter ou mitigar os efeitos da decisão.
A lista publicada pela União Europeia não inclui o Brasil entre os países autorizados a exportar animais vivos destinados à produção de alimentos. A medida passa a valer em 3 de setembro e, segundo o documento citado, atinge bovinos, cavalos, ovos, peixes, mel e aves.
A restrição gerou preocupação entre integrantes do setor agropecuário, especialmente porque o mercado europeu movimenta valores significativos para as carnes brasileiras. A decisão também ocorre em um contexto sensível para as relações comerciais entre Brasil, Mercosul e União Europeia, em meio às discussões em torno do acordo entre os dois blocos.
De acordo com fontes do agronegócio ouvidas pela CNN Brasil, a União Europeia vinha alertando o Brasil e outros países, desde junho de 2023, sobre a intensificação de medidas voltadas ao combate à resistência antimicrobiana. A avaliação dessas fontes é que a falta de avanço nas negociações ao longo dos últimos três anos pesou na decisão anunciada pelo bloco.
Outro fator apontado nos bastidores é a possibilidade de pressão de setores europeus contrários ao acordo entre Mercosul e União Europeia. A exclusão do Brasil da lista de exportadores aptos, portanto, é vista também em meio a um ambiente de disputas comerciais e políticas envolvendo o agronegócio brasileiro e produtores europeus.
O governo brasileiro busca agora concentrar esforços em negociações presenciais, tanto em Brasília quanto em Bruxelas, para esclarecer os critérios da decisão e defender a manutenção do acesso dos produtos nacionais ao mercado europeu. A prioridade, neste momento, é evitar que a medida produza impactos mais amplos sobre as exportações brasileiras a partir de setembro.



