HOME > Mundo

Brasil vê brecha para frear investigações sobre o Pix após reunião Lula-Trump

Governo brasileiro avalia que encontro em Washington ajudou a reduzir tensões sobre possível ofensiva comercial contra o Pix

Brasil vê brecha para frear investigações sobre o Pix após reunião Lula-Trump (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

247 - O governo brasileiro avalia que a recente viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington abriu espaço para frear a investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre o Pix. As informações foram publicadas pela CNN Brasil e indicam que o Palácio do Planalto acredita que a decisão final sobre o caso dependerá diretamente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O encontro entre Lula e Trump ajudou a “descontaminar” as discussões conduzidas pelo USTR, o escritório do representante comercial norte-americano responsável pela apuração sobre supostas práticas desleais relacionadas ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Apesar da avaliação positiva da reunião, integrantes do governo evitam tratar o episódio como encerrado. A percepção em Brasília é de que ainda não existem garantias concretas de que os Estados Unidos abandonarão a investigação, mas há entendimento de que o Brasil conseguiu ganhar tempo e reduzir parte da tensão política envolvendo a possibilidade de novas tarifas comerciais.

Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, tem dificultado a relação bilateral. Fontes da comitiva presidencial disseram à CNN que Greer adotou uma postura mais dura contra Lula durante o encontro realizado na quinta-feira (7).

Antes da reunião entre os presidentes, negociadores brasileiros já vinham trabalhando em uma aproximação com autoridades técnicas americanas em Washington. Em abril, uma delegação do Brasil entregou aos EUA um documento com argumentos relacionados ao comércio bilateral, ao sistema financeiro e à cooperação em segurança pública. O mesmo material foi reapresentado por Lula durante a conversa com Trump.

Na reunião, Lula procurou reforçar que o Brasil não representa ameaça econômica para os Estados Unidos e destacou que a relação comercial entre os dois países historicamente favorece os americanos. Auxiliares do presidente também ressaltaram às autoridades dos EUA que empresas norte-americanas do setor de cartões e pagamentos já operam normalmente dentro do sistema financeiro brasileiro e utilizam o Pix em suas transações.

Outro ponto abordado pelo presidente brasileiro foi o interesse do Brasil em ampliar a cooperação entre órgãos de inteligência e aduanas para combater lavagem de dinheiro, tráfico internacional de armas e o financiamento de facções criminosas. De acordo com interlocutores, a estratégia defendida pelo governo é concentrar esforços no chamado “andar de cima” das organizações criminosas e no rastreamento financeiro das estruturas do crime organizado.

Ainda segundo relatos de integrantes do governo, Trump teria insistido para que Lula viajasse aos Estados Unidos. O encontro entre os dois líderes vinha sendo articulado desde janeiro e deveria ter ocorrido em março, mas acabou adiado em razão da guerra no Oriente Médio.

Artigos Relacionados