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Brasileiros vivem drama ao ficarem presos na ilha de Socotra, no Iêmen

Família relata falta de medicamentos e incerteza após fechamento de voos em ilha isolada em meio à escalada do conflito regional

Família brasileira retida na ilha na ilha de Socotra, no Iêmen, após o fechamento de aeroportos e portos (Foto: Arquivo pessoal)

247 - Brasileiros estão entre os turistas estrangeiros retidos na ilha de Socotra, no Iêmen, após o fechamento de aeroportos e portos provocado pelo agravamento das tensões políticas e militares no país. O isolamento forçado, que já dura quase duas semanas para alguns visitantes, transformou o que seria uma viagem de aventura em um drama marcado por incertezas, dificuldades médicas e espera por uma solução diplomática.

Dezenas de estrangeiros, possivelmente centenas, permanecem presos na ilha, patrimônio mundial da Unesco, sem previsão clara de retorno. Entre eles está uma família brasileira que decidiu falar publicamente sobre a experiência vivida em Socotra, conhecida por sua biodiversidade única e por atrair turistas em busca de paisagens remotas e pouco exploradas.

Juliana Menezes Vasconsellos contou que a família viajou para o arquipélago em busca de uma experiência fora do comum, mas foi surpreendida pela gravidade da crise. “Então, lugar remoto, super diferente... somos uma família aventureira e até então não tínhamos muitos problemas na Ilha. Mas vimos na prática que não é bem assim”, afirmou. Segundo ela, a estadia prevista era de apenas uma semana. “Era para passarmos 7 dias aqui e já estamos há 12 dias aqui.”

O grupo é formado por Juliana Menezes Vasconsellos, Mario Pinheiro Vasconsellos e os filhos, um de 13 e o outro de 9 anos.  A família enfrenta agora um problema adicional relacionado à saúde. “Meus filhos e eu tomamos remédios controlados e nossas medicações acabaram e não encontramos as medicações aqui”, relatou Juliana, destacando a dificuldade de acesso a tratamentos básicos em uma ilha isolada do continente.

Além dessa família, há outros brasileiros retidos em Socotra. “Temos mais 4 brasileiros”, informou Juliana, detalhando que se trata de “3 homens e 1 mulher”. Segundo ela, o grupo brasileiro convive com turistas de diversas nacionalidades que também aguardam uma saída da ilha. “Além dos brasileiros, sabemos que tem vários italiano, chineses, canadenses, vários poloneses, americanos, franceses, búlgaros.”

 O fechamento das rotas aéreas ocorreu após o aumento das tensões entre o Conselho de Transição do Sul, grupo separatista que controla Socotra com apoio dos Emirados Árabes Unidos, e forças ligadas ao governo iemenita respaldado pela Arábia Saudita. O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou o cancelamento e o redirecionamento de voos comerciais e reforçou que não consegue oferecer serviços consulares a cidadãos americanos no Iêmen, incluindo Socotra.

No caso dos brasileiros, o apoio tem vindo tanto da agência de turismo quanto da diplomacia. Juliana elogiou a atuação da empresa responsável pela viagem. “Estamos com a agência Tour Socotra que está sendo fenomenal no suporte aos turistas. O Dono está pessoalmente nos dando updates sobre as negociações e também nos apoiando com tudo que precisamos na ilha.” Ela também fez uma ressalva: “Sabemos que tem algumas agências que não estão dando 100% de suporte.”

A família destacou ainda o papel da diplomacia brasileira no acompanhamento da situação. “E também agradecer a embaixada brasileira na Arabia Saudita que também tem nos apoiado. O embaixador falando diretamente com a gente e nos atualizando de todas as informações.” Segundo Juliana, o embaixador responsável é Paulo Uchôa Ribeiro Filho, que tem mantido contato direto com os brasileiros retidos.

Enquanto autoridades regionais indicam que os voos podem ser retomados nos próximos dias, o cenário segue indefinido. Sem acesso a medicamentos essenciais e longe de casa, os brasileiros em Socotra seguem aguardando uma solução concreta para deixar a ilha, em meio a um conflito que, embora distante geograficamente, passou a impactar diretamente suas vidas.

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