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Catar e Emirados articulam aliados para conter ofensiva de Trump contra o Irã

Países do Golfo articulam aliados para convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a encurtar operações militares e evitar escalada regional

Manifestantes protestam contra assassinato do aiatolá Ali Khamenei em Teerã (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)

247 - Os Emirados Árabes Unidos e o Catar intensificaram articulações diplomáticas para convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a buscar uma alternativa que limite a duração das operações militares contra o Irã e evite uma escalada regional. A movimentação ocorre em meio ao rápido alargamento do conflito e ao temor de impactos prolongados sobre os mercados globais de energia.

Segundo a Bloomberg, que cita fontes com conhecimento direto das negociações, os dois países atuam nos bastidores para formar uma ampla coalizão internacional capaz de defender um desfecho rápido e diplomático para a crise. O objetivo é conter a expansão do confronto e impedir um choque prolongado nos preços de petróleo e gás natural.

De acordo com uma avaliação do governo do Catar compartilhada com a agência, caso as rotas marítimas na região permaneçam severamente afetadas até meados desta semana, a expectativa é de uma reação ainda mais intensa nos preços do gás natural, superior ao forte salto registrado na segunda-feira (2). Desde que Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã no sábado (28), o conflito se ampliou rapidamente, expondo bases, infraestrutura e cidadãos de países que afirmam não participar diretamente da guerra.

O Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito na maior instalação de exportação do mundo após a unidade ser alvo de um ataque com drone atribuído ao Irã. A medida provocou disparada superior a 50% nos preços do gás na Europa.

Paralelamente às investidas diplomáticas, Emirados e Catar trabalham para reforçar suas capacidades de defesa aérea. Ainda conforme a Bloomberg, os Emirados solicitaram apoio de aliados para sistemas de defesa de médio alcance, enquanto o Catar pediu assistência específica contra ataques com drones, considerados atualmente ameaça mais relevante que mísseis balísticos.

Uma análise interna vista pela agência aponta que os estoques catarianos de mísseis interceptadores Patriot seriam suficientes para quatro dias no ritmo atual de utilização.

O governo do Catar informou ter abatido dois aviões Sukhoi Su-24 iranianos e interceptado sete mísseis balísticos, além de cinco drones. Segundo comunicado oficial, “a ameaça foi enfrentada imediatamente após a detecção e todos os mísseis foram derrubados antes que pudessem atingir seus alvos”. Mais cedo, na segunda-feira (2), o Ministério da Defesa catariano havia anunciado que duas aeronaves não tripuladas iranianas atacaram o país, uma mirando um reservatório de água em uma usina em Mesaieed e outra uma instalação energética em Ras Laffan.

Nos últimos dias, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, mantiveram conversas telefônicas com líderes europeus, entre eles o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz.

Antes do início dos bombardeios, interlocutores do Golfo — especialmente representantes do Catar — vinham defendendo moderação junto a autoridades ocidentais. Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que, nos meses que antecederam os ataques, foi apresentada à equipe de Trump a perspectiva de um Irã reintegrado ao mercado global após eventual alívio de sanções, com parcerias energéticas, investimentos em infraestrutura e novos corredores financeiros.

De acordo com as mesmas fontes, a proposta dialogava com setores da administração norte-americana interessados em um acordo econômico de grande alcance. Ao mesmo tempo, aliados de Israel reforçavam argumentos baseados em identidade política compartilhada, interesses de segurança e na credibilidade da doutrina de “paz pela força” defendida pelo presidente dos Estados Unidos.

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