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Chefe de gabinete do Reino Unido renuncia após indicação de Peter Mandelson, ligado ao caso Epstein

A crise se aprofundou após a divulgação de documentos ligados ao caso Epstein

Morgan McSweeney assumiu a responsabilidade por aconselhar a nomeação de Mandelson, citado nos documentos ligados ao caso Epstein, como embaixador do país nos Estados Unidos. (Foto: Reuters)

247 - O chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, Morgan McSweeney, renunciou ao cargo neste domingo (8) em meio à pressão política gerada pela nomeação de Peter Mandelson para a embaixada britânica nos Estados Unidos. A saída ocorre no momento em que o governo enfrenta questionamentos sobre o impacto das revelações contidas nos arquivos do bilionário americano Jeffrey Epstein.

As informações foram publicadas pela Reuters, que detalhou a sequência de eventos que levou à renúncia. Em comunicado, McSweeney afirmou ter sido o responsável por aconselhar Starmer a indicar Mandelson, de 72 anos, para o posto diplomático mais importante do país em 2024, decisão que agora reconhece como um erro político com consequências amplas.

No texto, o ex-chefe de gabinete foi direto ao assumir a responsabilidade. “A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política”, disse McSweeney. Em seguida, acrescentou: “Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho.”

A crise se aprofundou após a divulgação de documentos ligados ao caso Epstein, que sugerem que Mandelson teria enviado informações confidenciais de mercado ao criminoso sexual condenado quando ocupava o cargo de secretário de Negócios no governo britânico. Embora Mandelson não tenha sido condenado por esse episódio, as revelações alimentaram críticas sobre o julgamento político do atual governo.

Para aliados e opositores, o episódio expôs fragilidades na condução política de Starmer, que enfrenta o que já é descrito por analistas como a mais grave crise de seus 18 meses no poder. A permanência de Mandelson no cargo diplomático tornou-se um ponto sensível, com parlamentares cobrando explicações e maior rigor na apuração dos fatos.

A renúncia de McSweeney é vista em Londres como uma tentativa de conter danos e sinalizar responsabilidade política diante da pressão pública e do Parlamento. Ainda assim, o caso segue em evolução, e o governo britânico deve enfrentar novos questionamentos sobre os critérios adotados para nomeações estratégicas e sobre os desdobramentos das revelações envolvendo os arquivos de Epstein.

Até o momento, o gabinete de Keir Starmer não anunciou quem assumirá a chefia de gabinete nem se haverá revisão formal da indicação de Mandelson.

O episódio, porém, já se consolida como um dos momentos mais delicados do início do atual governo e deve continuar pautando o debate político no Reino Unido nos próximos dias.