China exige fim imediato dos ataques dos EUA e Israel ao Irã
Pequim pede respeito à soberania iraniana e diálogo, enquanto mundo reage à ação militar conjunta e líderes globais alertam para riscos de escalada
247 - A China manifestou nesta terça-feira extrema preocupação com os recentes ataques militares lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, Pequim destacou que "a soberania, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas" e exigiu a "interrupção imediata das ações militares, o fim da escalada da tensão, a retomada do diálogo e das negociações e os esforços para manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio".
O ataque conjunto ocorreu logo após o término das negociações nucleares indiretas em Genebra entre Teerã e Washington, sem avanços significativos, e em meio ao aumento expressivo da presença militar americana na região. A iniciativa gerou repercussão internacional, com governos e líderes mundiais expressando preocupações e posições divergentes.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, que mediou as negociações nucleares, criticou a ação conjunta. "Nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz mundial são bem servidos por isso", afirmou, destacando o impacto negativo sobre os esforços diplomáticos.
Em Moscou, o presidente russo Vladimir Putin convocou uma reunião do Conselho de Segurança por videoconferência para discutir a situação. O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, qualificou os ataques como um "ataque armado não provocado" e pediu sua suspensão imediata, afirmando que a Rússia está pronta para trabalhar pelo Conselho de Segurança da ONU em busca de uma solução diplomática.
Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron alertou que uma "guerra eclodida" no Oriente Médio teria graves consequências para a paz e a segurança internacionais. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou o que chamou de ação militar unilateral dos EUA e Israel, afirmando que representa uma escalada perigosa e um risco de agravamento da instabilidade global.
O governo britânico adotou posição mais cautelosa. Um porta-voz afirmou que o Irã "jamais deve ter permissão para desenvolver uma arma nuclear" e defendeu a busca por uma solução negociada. Já o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, destacou que "bombas e mísseis não são a forma de resolver divergências", pedindo moderação e o retorno às negociações.
Na América do Norte, o primeiro-ministro canadense Mark Carney reiterou apoio aos esforços americanos para impedir que o Irã obtenha armas nucleares, preservando a paz e a segurança internacionais. Por sua vez, o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam declarou que o Líbano não aceitará ser envolvido em assuntos que ameacem sua segurança e unidade.
Na Noruega, o ministro das Relações Exteriores, Espen Barth Eide, questionou a legalidade dos ataques israelenses. "Embora Israel tenha descrito sua ação como preventiva, tais ataques não estão em conformidade com o direito internacional na ausência de uma ameaça iminente", afirmou.
Em Teerã, a reação foi firme. Um porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã prometeu represálias, chamando Israel de "criminoso" e os Estados Unidos de "agressivo". "Daremos uma lição que eles nunca haviam experimentado em sua história", declarou, acrescentando que os ataques ocorreram durante negociações com Washington.

