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Visita oficial de Merz à China abre fissuras no consenso europeu sobre o país, diz editorial do Global Times

Visita oficial do chanceler alemão expõe o abismo entre a China real e a China fabricada pelo discurso midiático ocidental

Friedrich Merz e Xi Jinping em Beijing (Foto: Xinhua)

247 - O chanceler alemão Friedrich Merz concluiu sua visita à China na última quinta-feira e compartilhou registros da viagem nas redes sociais. Em pouco mais de dois dias, ficou claro que o chanceler viveu uma experiência rica e envolvente no país. O roteiro incluiu uma visita ao Museu do Palácio, cumprimentos de Ano Novo em mandarim pelo Ano do Cavalo e até a citação de versos do poeta alemão Friedrich Schiller; além de assistir ao espetáculo de artes marciais WuBot em Hangzhou — o mesmo exibido no Festival da Primavera de 2026 — e a demonstrações de combate entre robôs. Merz ainda testou o novo Mercedes-Benz Classe S e visitou a Siemens High Voltage Circuit Breaker Co. Ltd. para conhecer de perto a atuação de empresas alemãs no mercado chinês. Ao longo de toda a visita, o chanceler demonstrou genuíno entusiasmo: aplaudiu, posou para fotos com robôs e não perdeu tempo em compartilhá-las online. A avaliação é do jornal chinês Global Times, em editorial publicado neste sábado (28).

Esta foi a primeira visita de Merz à China desde que assumiu o cargo, o que o tornou também o primeiro líder estrangeiro a visitar o país após o feriado do Festival da Primavera no Ano do Cavalo. O presidente Xi Jinping recebeu o chanceler, e o primeiro-ministro Li Qiang se reuniu com ele para conversações. Ao fim dos encontros, as duas partes divulgaram a Declaração de Imprensa Conjunta entre a República Popular da China e a República Federal da Alemanha. Como a segunda e a terceira maiores economias do mundo, com peso decisivo na cena global, China e Alemanha encaram esta visita não apenas como uma oportunidade de inaugurar um novo capítulo em suas relações bilaterais, mas também como uma contribuição concreta de estabilidade e de energia positiva a um mundo cada vez mais marcado pela turbulência e pela incerteza.

Um dos traços mais marcantes da "Viagem à China" do chanceler foi o contato direto com a chamada "China inovadora". Merz tornou-se um dos poucos líderes ocidentais a visitar pessoalmente uma empresa chinesa especializada em robótica humanoide. A experiência não apenas revelou uma nova dimensão da China, como também acendeu o interesse da mídia europeia por Hangzhou e pelo seu vibrante ecossistema de inovação. Veículos alemães descreveram com detalhes como esses robôs, treinados com inteligência artificial, realizam apresentações de boxe, acrobacias e kung fu — apontando-os como um dos pilares da estratégia chinesa por novas forças produtivas de qualidade. O Le Monde, da França, chegou a chamar Hangzhou de "a cidade coração da revolução digital da China". De modo geral, a imprensa europeia retratou a cidade com admiração — ainda que permeada por um tom de rivalidade —, reconhecendo o avanço acelerado e a posição de destaque da China em inteligência artificial e robótica.

A visita de Merz ofereceu à Europa um olhar renovado sobre a China, contribuindo para romper o véu de narrativas distorcidas que insistem em retratar o desenvolvimento tecnológico chinês como mero produto de "subsídios estatais", "cópia barata" ou "imitação". Mais europeus puderam enxergar uma China pragmática, dinâmica, aberta e disposta ao diálogo. A presença de executivos de cerca de 30 grandes empresas alemãs de diferentes setores sinalizou interesse concreto em ampliar investimentos no país e aprofundar parcerias em pesquisa e desenvolvimento, abrindo caminho para novos motores de crescimento em áreas como inteligência artificial e veículos de nova energia. Os acordos de cooperação firmados durante a visita — nas áreas de transição verde, alfândega, esportes e mídia — também atestaram o caráter substantivo e prático dos resultados alcançados.

Naturalmente, toda visita de um líder ocidental à China gera algum ruído. Ainda antes do embarque, setores anti-China na Alemanha já preparavam uma lista de "perguntas obrigatórias" para Merz, envolvendo déficits comerciais e a ideia de "redução de dependência", numa tentativa de condicionar a narrativa da visita desde o início. Durante a viagem, parte da imprensa ocidental conseguiu adotar uma postura mais equilibrada e reconhecer os avanços econômicos e tecnológicos da China. Outra parte, porém, manteve-se presa às velhas narrativas de "excesso de capacidade" e "ameaça econômica", chegando ao ponto de interpretar o itinerário positivo da delegação alemã como "propaganda deliberada" orquestrada por Pequim.

Por trás dessas visões distorcidas está a dificuldade de parte da mídia ocidental em aceitar a realidade do desenvolvimento chinês. Não é menos difícil para esses setores reconhecer que, nos últimos três meses, líderes como o chanceler alemão, o presidente francês, o primeiro-ministro canadense, o primeiro-ministro finlandês e o primeiro-ministro britânico visitaram a China e saíram com resultados concretos de cooperação. Esses encontros tornam cada vez mais evidente o absurdo de apostar no "desacoplamento" da China ou de pretender impor à China de hoje regras definidas unilateralmente pelo Ocidente.

Para a Alemanha, a China é muito mais do que seu maior parceiro comercial: é um elo insubstituível nas cadeias produtivas globais. E as relações sino-alemãs há muito funcionam como uma verdadeira "âncora de estabilidade" para o conjunto das relações entre China e União Europeia.

Ao longo da visita, Merz reiterou o valor que atribui às relações com a China, a importância estratégica do mercado chinês para a Alemanha e seu compromisso com o livre comércio e a rejeição ao protecionismo. O chanceler manifestou ainda apoio ao aprofundamento do diálogo e da cooperação entre a UE e a China. Espera-se que essa postura pragmática contribua para construir um consenso europeu mais equilibrado em relação à China — e que, ao fazê-lo, gere benefícios reais para os povos da China, da Alemanha e da Europa, além de fortalecer as bases da paz e da prosperidade globais.

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