Comitê de Serviços Armados do Senado dos EUA não foi informado sobre ação militar na Venezuela
Revelação ocorre após explosões em Caracas e decreto de emergência do governo venezuelano
247 - O Comitê de Serviços Armados do Senado dos Estados Unidos não foi informado previamente sobre qualquer possível ação militar na Venezuela, segundo uma fonte familiarizada com o assunto. A informação ganhou destaque após uma madrugada marcada por múltiplas explosões em Caracas e em outras regiões do país, que elevaram de forma significativa a tensão política e diplomática na região.
Segundo a CNN, autoridades do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, não se comprometeram a avisar as comissões do Congresso antes de eventuais ataques terrestres, apesar da insistência de parlamentares por notificações prévias.
Explosões sacodem Caracas durante a madrugada
As explosões começaram por volta de 1h50 no horário local e foram ouvidas em diversos pontos da capital venezuelana. Jornalistas relataram detonações sucessivas, apagões em algumas áreas da cidade e o som de aeronaves após os primeiros impactos. A causa das explosões ainda não foi oficialmente esclarecida.
Imagens verificadas e geolocalizadas pela CNN mostram dezenas de veículos e pessoas deixando Forte Tiuna, no sul de Caracas, onde está localizada a sede do Ministério da Defesa da Venezuela. Registros anteriores também indicaram grandes incêndios e explosões na região.
Governo venezuelano decreta estado de emergência
Em comunicado oficial, o governo da Venezuela acusou os Estados Unidos de realizar um ataque contra Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Diante da situação, o presidente Nicolás Maduro decretou estado de emergência e determinou a ativação dos planos nacionais de defesa “no momento oportuno e sob as circunstâncias adequadas”.
O texto também convocou forças sociais e políticas a se mobilizarem em defesa do país e informou que a Venezuela apresentará denúncias ao Conselho de Segurança da ONU, ao secretário-geral das Nações Unidas e a outros organismos internacionais, solicitando a condenação formal dos Estados Unidos.
Registros mostram incêndios e evacuação em áreas estratégicas
Vídeos mostram uma explosão no porto de La Guaira, localizado a menos de 15 quilômetros do centro de Caracas. Também houve registros em Higuerote, cidade costeira a cerca de 80 quilômetros da capital, onde imagens indicam focos de incêndio antes de uma forte explosão, com um dos grandes incêndios próximo a um aeroporto local.
Moradores relataram momentos de medo. Carlos, de 25 anos, que gravou um dos vídeos a partir de sua casa em Caracas, afirmou que “heard an airplane very close” e que “saw the explosions” do lado de fora da janela. Segundo a emissora, a fumaça e o brilho alaranjado pareciam se elevar nas proximidades do Forte Tiuna.
Reações internacionais ampliam pressão diplomática
A escalada da crise provocou reações imediatas. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu uma reunião urgente das Nações Unidas. “Right now they are bombing Caracas. Alert the world, they have attacked Venezuela”, escreveu. Em outra publicação, acrescentou: “They are bombing with missiles. The OAS (Organization of American States) and the UN (United Nations) must meet immediately.” O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, também se manifestou, classificando o episódio como um ataque “criminal” dos Estados Unidos contra a Venezuela.
A Casa Branca não respondeu aos pedidos de esclarecimento da reportagem. O Pentágono e o Comando Sul dos Estados Unidos encaminharam as solicitações de comentário à presidência, em meio a um cenário de crescente tensão política, militar e diplomática envolvendo a Venezuela e países da região.


