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Crise do petróleo leva AIE a recomendar trabalho remoto e caronas

Medidas visam reduzir consumo diante de interrupção no fornecimento global no contexto das agressões dos EUA e Israel ao Irã

Navios-tanque navegam no Golfo, perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a região administrativa de Musandam, em Omã (Foto: Stringer/Reuters)

247 - A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a adoção de medidas para reduzir o consumo de petróleo em meio à crise global provocada pelas agressões dos EUA e Israel ao Irã. A entidade orienta ações como trabalho remoto, redução de voos e compartilhamento de veículos. As informações são do jornal O Globo.

A AIE, responsável por coordenar reservas estratégicas de 32 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), avalia que essas iniciativas são necessárias diante da "maior interrupção de fornecimento na história do mercado de petróleo", cenário que levou o preço do barril a superar US$ 100.

Interrupção no fornecimento global

A crise se intensificou após ataques que afetaram rotas estratégicas de energia. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, região impactada por ações retaliatórias do Irã contra petroleiros. Além disso, um ataque iraniano, em resposta às agressões estadunidenses e de Israel, atingiu uma grande instalação de gás natural liquefeito no Catar, ampliando a instabilidade no mercado energético.

Para conter os efeitos da crise, países membros da AIE, como Estados Unidos, Reino Unido e Japão, decidiram liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas. Os Estados Unidos também suspenderam parte das sanções ao petróleo russo.

Redução da demanda como alternativa

A AIE afirmou que apenas medidas voltadas à oferta não são suficientes para enfrentar o cenário atual. "Abordar a demanda é uma ferramenta crítica e imediata para reduzir a pressão sobre os consumidores, melhorando a acessibilidade e apoiando a segurança energética", informou a entidade.

Entre as recomendações estão a redução da velocidade nas estradas, substituição de fogões a gás por elétricos e incentivo ao uso de caronas. A agência destacou que a adoção ampla dessas medidas pode ampliar o impacto global e ajudar a mitigar os efeitos da crise.

Reações 

As orientações da AIE não são obrigatórias, e cada país decide como aplicá-las. Alguns governos já anunciaram iniciativas nesse sentido. Paquistão e Filipinas adotaram semanas de trabalho de quatro dias para servidores públicos, enquanto Tailândia e Vietnã incentivam o trabalho remoto.

Em contrapartida, a Itália optou por reduzir temporariamente impostos sobre combustíveis em 20% para conter o impacto dos preços elevados. A medida, válida inicialmente por 20 dias, foi criticada por especialistas por estimular o consumo.

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