Diretor da ONU se despede do cargo reconhecendo genocídio em Gaza e denuncia que organização se rendeu aos EUA
Craig Mokhiber comparou a situação atual em Gaza a genocídios passados, nos quais a comunidade internacional falhou em cumprir seu dever
247 - Craig Mokhiber, diretor do escritório em Nova York do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos que entregou o cargo esta semana, não economizou palavras ao expressar sua frustração com a atuação da organização diante dos acontecimentos na Faixa de Gaza. Em uma carta enviada ao seu chefe, Volker Turk, classificou a situação na região como “genocídio”, afirmando que a organização internacional se submeteu aos interesses e pressões dos Estados Unidos e ao lobby israelense.
"Mais uma vez, estamos vendo um genocídio se desenrolar diante de nossos olhos, e a Organização a que servimos parece impotente para impedi-lo", diz um trecho da carta segundo a coluna do jornalista Jamil Chade, no UOL. Ainda conforme Chade, o diplomata alerta que “o mundo está assistindo. Todos nós seremos responsáveis por nossa posição nesse momento crucial da história". >>> Situação geopolítica mundial é grave e "ver a ONU enfraquecida é algo que preocupa", diz Celso Amorim
"Nas últimas décadas, partes importantes da ONU se renderam ao poder dos EUA e ao medo do lobby de Israel, abandonando esses princípios e se afastando do próprio direito internacional", disse Mokhiber em um outro trecho da carta. >>> Israel tem planos para forçar o êxodo de 2,2 milhões de palestinos de Gaza para o Egito após a guerra
Mokhiber comparou a situação atual em Gaza a genocídios passados, nos quais a comunidade internacional falhou em cumprir seu dever de prevenir atrocidades em massa, proteger os vulneráveis e responsabilizar os perpetradores. >>> Ataque aéreo israelense mata mais de 100 palestinos no campo de refugiados de Jabalia na Faixa de Gaza
“Em todos os casos, quando a poeira baixou sobre os horrores perpetrados contra populações civis indefesas, ficou dolorosamente claro que havíamos falhado em nosso dever de cumprir os imperativos de prevenção de atrocidades em massa, de proteção dos vulneráveis e de responsabilização dos perpetradores",ressaltou. "E assim tem sido com as sucessivas ondas de assassinato e perseguição contra os palestinos durante toda a existência da ONU", afirmou o ex-diretor mais a frente, segundo a reportagem. >>> Plano de Israel para realocação de palestinos enfrenta repúdio: “objetivo é empurrá-los para o Egito e torná-los refugiados”
Ele enfatizou que, ao longo da existência da ONU, a organização tem sido negligente diante das "sucessivas ondas de assassinato e perseguição contra os palestinos". >>> Bombardeios israelenses provocam "catástrofe" em Gaza, diz Unicef. Palestinos não têm água e podem morrer de desidratação
Para o dipomata, “esse é um caso exemplar de genocídio. O projeto colonial europeu, etnonacionalista e de colonos na Palestina entrou em sua fase final, rumo à destruição acelerada dos últimos remanescentes da vida indígena palestina na Palestina".
Ao ser questionada sobre as críticas, a ONU afirmou que as opiniões expressas são pessoais do ex-funcionário.