Em desespero após derrota, Netanyahu ataca ferrovia Irã-China
Ataque à ferrovia Irã-China ocorre após críticas internas e expõe crise diplomática do governo Netanyahu
247 - Israel realizou na terça-feira (7) um ataque aéreo contra a ferrovia Irã-China, em um movimento que ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática do governo de Benjamin Netanyahu e às crescentes críticas internas sobre sua condução da política externa. A ofensiva atinge um projeto estratégico ligado à Nova Rota da Seda e reforça o cenário de tensão regional.
Os bombardeios tiveram como alvo a chamada “China-Iran Railway”, inaugurada em 3 de junho de 2025 com financiamento de 40 bilhões de yuans por parte da China. A infraestrutura foi projetada para permitir o transporte de petróleo iraniano diretamente ao território chinês, contornando rotas marítimas tradicionais e reduzindo em cerca de 20 dias o tempo de transporte.
A ferrovia representa um dos principais eixos logísticos da estratégia chinesa de integração econômica e também foi concebida como alternativa para mitigar os efeitos de 13 anos de sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã. O ataque marca a primeira ação direta de Israel contra um ativo central vinculado à iniciativa global de Pequim.
A ofensiva ocorre em um momento de forte desgaste político para Netanyahu. O líder da oposição em Israel e ex-primeiro-ministro Yair Lapid fez críticas contundentes à atuação do governo, classificando a política externa atual como um fracasso histórico. Em publicação recente, Lapid afirmou que Israel enfrenta um colapso sem precedentes em sua articulação diplomática.
As críticas surgem em meio à trégua negociada entre Estados Unidos e Irã, articulada sem protagonismo direto de Israel. O governo israelense apoiou a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de suspender por duas semanas os ataques contra o Irã, como parte de uma tentativa de abrir espaço para negociações.
Apesar disso, Israel manteve operações militares no Líbano, deixando essa frente fora do cessar-fogo. A decisão gerou controvérsia, especialmente porque o acordo contou com mediação do Paquistão e foi apresentado como um avanço para a redução das tensões no Oriente Médio.


