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Rubio confirma interferência dos EUA no Brasil ao não citar país em lista de aliados

Secretário de Estado do governo Trump cita Brasil, Cuba, Nicarágua e Venezuela como "exceções" ao avaliar cenário regional; Lula critica o diplomata

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, observa enquanto fala com a imprensa antes de sua partida, após uma reunião de ministros das Relações Exteriores do G7 com países parceiros, no aeroporto de Le Bourget, nos arredores de Paris, França, em 27 de março de 2026. (Foto: Brendan Smialowski/Pool via REUTERS)
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247 - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2) que o Brasil representa uma exceção em uma América Latina que, segundo ele, está cada vez mais alinhada aos interesses de Washington. A declaração foi feita durante audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado estadunidense.

De acordo com a CNN Brasil, Rubio avaliou que a maior parte dos países da região mantém atualmente uma relação favorável aos Estados Unidos, tanto em questões de segurança quanto de cooperação econômica.

Ao comentar o cenário hemisférico, o chefe da diplomacia do governo do presidente Donald Trump destacou a existência de uma ampla rede de governos considerados parceiros estratégicos por Washington. "Agora temos neste hemisfério uma coalizão de países amigos – mais de uma dezena – que se alinharam para trabalhar não apenas nas questões de segurança que todos temos em comum, mas também na prosperidade econômica, que andam de mãos dadas", afirmou.

Rubio aponta exceções na região

Durante seu depoimento, Rubio citou países que, na sua avaliação, não fazem parte desse movimento de aproximação com os Estados Unidos. Entre eles, mencionou Nicarágua, Cuba, Venezuela e Brasil.

"É uma história impressionante a de que, basicamente, com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que continua com alguns desafios, e claro, do Brasil, embora eles estejam no meio de um ciclo eleitoral", declarou o secretário de Estado.

O representante do governo Trump também fez referência à Colômbia, afirmando que o presidente Gustavo Petro tem criado dificuldades na relação bilateral. "Mas, de modo geral, é agora uma região repleta de aliados americanos, de líderes amigáveis aos EUA e de uma direção favorável aos EUA", concluiu.

Críticas à influência chinesa

Ao longo da audiência, Rubio defendeu uma atuação mais intensa dos Estados Unidos na América Latina e argumentou que Washington precisa transformar esse cenário diplomático favorável em ações concretas.

Segundo ele, os Estados Unidos enfrentam o desafio de recuperar espaço após um período que classificou como de abandono da região. Rubio afirmou que o país precisa "operacionalizar isso em ações após 20 anos de negligência, nos quais a China e outras potências globais se intrometeram em nosso Hemisfério Ocidental em detrimento não apenas dos interesses nacionais americanos, mas também, a nosso ver, em detrimento do próprio povo desses países".

As declarações ocorrem em meio a discussões sobre comércio exterior e política internacional envolvendo os países latino-americanos e os Estados Unidos.

Lula reage às declarações

Enquanto Rubio prestava depoimento ao Senado norte-americano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um evento em Catalão, no estado de Goiás, e comentou a atuação do secretário de Estado.

Durante seu discurso, Lula criticou Rubio ao mencionar as recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, incluindo a proposta do Escritório Comercial dos EUA de aplicar uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras.

Ao se referir ao chefe da diplomacia norte-americana, o presidente brasileiro afirmou: "Faz pouco tempo que eu fui aos Estados Unidos. Eu tive 3 horas de conversa com o presidente Trump. O tal do Marco Rubio, que é o chefe de Departamento de Estado, que é o anti-América Latina, que é o inimigo mortal de Cuba, que é o inimigo mortal de vários países latino-americanos. Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil".

A fala de Lula evidencia o contraste entre as avaliações feitas por Rubio sobre a política regional dos Estados Unidos e a percepção do governo brasileiro sobre a atuação do secretário de Estado na América Latina.

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