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Alckmin critica Flávio Bolsonaro: 'falso patriota'

Vice-presidente critica ação de 'sabotagem' da economia brasileira pela família Bolsonaro após proposta de novo tarifaço dos EUA

Márcio Elias Rosa, Geraldo Alckmin e Dario Durigan (Foto: Cadu Gomes/VPR)
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247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu com "indignação" a recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros. 

A declaração foi dada após reunião do governo federal convocada para discutir a proposta norte-americana, que sugere a imposição de uma tarifa de 25% sobre determinados produtos do Brasil.

Mais cedo, o USTR divulgou um documento listando uma série de práticas que considera anticoncorrenciais e questionando políticas brasileiras em áreas como meios de pagamento digitais, regulação de plataformas tecnológicas, propriedade intelectual e comércio exterior. A iniciativa ocorreu após um encontro entre o presidente dos Estados Unidos e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), episódio que também foi seguido pela classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por parte do governo norte-americano.

"O governo brasileiro recebe com indignação e entende ser extremamente injusta a recomendação, a proposta do USTR ao presidente Trump", declarou Alckmin a jornalistas. Segundo ele, diversos pontos apresentados pelos Estados Unidos não encontram respaldo nos fatos e ignoram a relação econômica historicamente favorável aos norte-americanos.

O vice-presidente dedicou parte significativa de sua fala à defesa do Pix, citado no relatório do USTR. "Das colocações feitas na chamada Seção 301, a primeira delas se refere ao Pix. O Pix é patrimônio nacional, uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e a população", afirmou.

Alckmin também rebateu as críticas relacionadas à atuação das grandes plataformas digitais. "O governo é aberto em relação à questão das big techs. As empresas nacionais e estrangeiras têm o mesmo tratamento equitativo no Brasil", disse.

Sobre os acordos comerciais firmados pelo Brasil, o vice-presidente negou qualquer prejuízo aos interesses norte-americanos. "O acordo Mercosul-Índia e com o México não tem nenhuma implicação, sem restringir as compras dos produtos americanos nem das empresas americanas", destacou.

Em resposta às alegações envolvendo propriedade intelectual e ambiente de negócios, Alckmin ressaltou os avanços institucionais do país. "O Brasil nos últimos 20 anos aprovou 30 dispositivos de combate à corrupção", afirmou. Ele acrescentou que "o maior beneficiário de todo o trabalho e reconhecimento de patentes são empresas americanas".

O vice-presidente também contestou as justificativas tarifárias apresentadas por Washington. Segundo ele, os números mostram um cenário desfavorável ao Brasil em diversos setores. "Temos tarifa de 18% para entrada no Brasil do etanol, e nos Estados Unidos é de 12,5%. Ela é muito próxima. No caso do açúcar, só temos uma cota de 150 mil toneladas. O que passar disso para entrar nos EUA você tem 340 dólares a mais por tonelada, o que representa 80% de tarifa de importação. Portanto, há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país", argumentou.

Na área ambiental, Alckmin destacou os resultados obtidos pelo governo Lula no combate ao desmatamento. "Estamos tendo a maior queda do desmatamento. Em todos os biomas, é a maior queda de desmatamento. O Brasil tem compromisso em zerar o desmatamento até 2030", afirmou.

O vice-presidente ainda ressaltou o saldo positivo da relação comercial para os Estados Unidos. "Tivemos o ano passado, somando balança de produtos e serviços, 40 bilhões de dólares em superávit para os Estados Unidos. Há um enorme favorecimento", disse. Segundo ele, "dos 10 produtos que os EUA mais exportam, oito desses produtos têm tarifa zero, e a tarifa média é 3,1%".

Alckmin classificou a recomendação do USTR como injustificável e afirmou que o governo brasileiro atuará para impedir sua implementação. "Por tudo isso, entendemos que é totalmente descabida a recomendação, e o governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta. É uma recomendação do USTR, e o caminho é o do diálogo, que, aliás, já vinha ocorrendo", declarou.

Sem citar nomes, o vice-presidente também criticou atores políticos brasileiros que, segundo ele, estariam atuando contra os interesses nacionais. "Mas sempre que o diálogo avança, infelizmente falsos patriotas, sabotadores, prejudicam e colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima dos interesses do país e do interesse público", concluiu.

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