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Lula levanta possibilidade de retaliação comercial contra os EUA

Presidente afirma que Brasil poderia reagir após proposta dos EUA de impor tarifa de 25% sobre importações brasileiras

Lula e Donald Trump - 23 de setembro de 2025 (Foto: Reuters)
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247 - O presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira (2) que o Brasil deveria ser o país a ampliar a taxação sobre produtos vindos dos Estados Unidos, após o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor a imposição de tarifas de 25% sobre importações brasileiras, em um novo capítulo da tensão comercial entre os dois países.

A declaração foi feita um dia depois da proposta norte-americana e retomou a crítica do presidente à justificativa usada pela Casa Branca no primeiro semestre de 2025, quando os Estados Unidos alegaram um suposto déficit comercial com o Brasil para defender o chamado “tarifaço”.

Lula afirmou que contestou diretamente a versão apresentada pelo governo norte-americano, inclusive por meio de artigos publicados em jornais dos Estados Unidos e de correspondências enviadas às autoridades do país.

“Eu, então, fiz questão de provar, escrevendo artigos nos jornais americanos, mandando carta ao governo americano, dizendo que eles estavam mentindo, porque os Estados Unidos não tinham déficit com o Brasil. O superávit americano com o Brasil nos últimos 15 anos ultrapassa US$ 415 bilhões [...] Então, quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, não eles”, declarou Lula.

Segundo o presidente, os números do comércio bilateral mostrariam que a narrativa adotada pelos Estados Unidos não correspondia à realidade das relações econômicas entre os dois países. Para Lula, a existência de um superávit acumulado pelos norte-americanos reforça o argumento de que o Brasil não deveria ser alvo de medidas tarifárias adicionais.

A fala ocorre em meio à nova movimentação do USTR, que propôs a cobrança de 25% sobre importações brasileiras. A medida reacende o debate sobre reciprocidade comercial e sobre a resposta que o governo brasileiro pode adotar diante de iniciativas unilaterais dos Estados Unidos contra produtos do Brasil.

Ao citar o episódio do primeiro semestre de 2025, Lula buscou reforçar que o Brasil já havia questionado a base econômica apresentada pela Casa Branca para justificar a elevação de tarifas. Na avaliação do presidente, a relação comercial entre os dois países não sustentaria a tese de prejuízo norte-americano.

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