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Em visita de Estado, Lula eleva relação com a Coreia do Sul a parceria estratégica

Visita do presidente à Coreia do Sul reforça cooperação em tecnologia, comércio, saúde e transição energética

O prersidente Lula e Lee Jae-myung, prresidente da Coreia do Sul (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta segunda-feira (23) visita de Estado à Coreia do Sul com uma agenda voltada ao aprofundamento das relações políticas, econômicas e tecnológicas entre os dois países. A viagem, que marca a terceira ida de Lula a Seul, é um ponto de destaque de um ciclo de aproximação com países asiáticos realizado ao longo de seu terceiro mandato e culmina a elevação do relacionamento bilateral ao nível de Parceria Estratégica.

Segundo o governo brasileiro, a visita reforça o papel da Ásia como eixo central da economia global e consolida a Coreia do Sul como parceiro prioritário do Brasil na região.

Parceria estratégica e plano de ação

Lula anunciou a criação de um Plano de Ação com iniciativas previstas para os próximos três anos. O objetivo é ampliar mecanismos de cooperação e intercâmbio, fortalecendo laços humanos, econômicos e institucionais.

O presidente destacou que o Brasil abriga a maior comunidade coreana da América Latina, com cerca de 50 mil pessoas, enquanto quase dois mil brasileiros vivem atualmente na Coreia do Sul. Para Lula, o intervalo de mais de uma década sem visita de um chefe de Estado brasileiro ao país asiático não refletia a densidade das relações bilaterais.

Democracia, clima e multilateralismo

Na declaração, Lula ressaltou a convergência entre Brasil e Coreia do Sul na defesa da democracia, do multilateralismo e do direito internacional. Ele mencionou que ambos os países enfrentaram tentativas de ruptura institucional nas últimas décadas e reafirmaram a solidez de suas instituições democráticas.

O presidente também reforçou o convite para que Lee Jae-myung participe de um encontro internacional em defesa da democracia, previsto para abril, em Barcelona.

No campo ambiental, Lula destacou a atuação construtiva da Coreia na COP-30, realizada em Belém, e mencionou o compromisso coreano com a descarbonização por meio de sua nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

Comércio, investimentos e inovação

A agenda econômica ocupa lugar central na visita. O Brasil é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina, enquanto a Coreia do Sul é o quarto parceiro comercial brasileiro na Ásia, com intercâmbio de cerca de US$ 11 bilhões.

Entre os temas discutidos estão a transição energética, cadeias de minerais críticos, semicondutores e inteligência artificial. Lula também tratou da conclusão de procedimentos sanitários para viabilizar a exportação de carne bovina brasileira ao mercado coreano.

Para estimular novos investimentos, foi celebrado um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva, voltado à facilitação do comércio bilateral e à harmonização regulatória. Também foi assinado um memorando para fortalecer a cooperação financeira em áreas de interesse comum.

As negociações entre o MERCOSUL e a República da Coreia, interrompidas em 2021, também foram discutidas, com a perspectiva de retomada das tratativas.

Saúde, agricultura e tecnologia

A visita resultou ainda na assinatura de acordos em saúde, empreendedorismo, agricultura, ciência e tecnologia e combate ao crime organizado transnacional.

Na área da saúde, os instrumentos abrangem produção de medicamentos e vacinas, pesquisa em diagnóstico de doenças transmissíveis e crônicas, além de genômica avançada e saúde digital. O ministro da Saúde acompanhará experiências de hospitais inteligentes na Coreia do Sul, enquanto o governo brasileiro prevê a inauguração do primeiro hospital inteligente do país, em São Paulo.

Em agricultura, a cooperação inclui projetos de adaptação climática, bioeconomia, segurança alimentar e tecnologias agroindustriais. Já na área científica e tecnológica, os acordos envolvem biotecnologia, setor aeroespacial, transição digital, comunicações móveis avançadas e internet das coisas.

Início e encerramento da visita

A agenda oficial inclui encontros bilaterais, assinatura de acordos e declaração conjunta à imprensa. Lula afirmou esperar receber o presidente sul-coreano no Brasil para retribuir a hospitalidade e dar continuidade ao novo ciclo de cooperação entre os dois países.

Leia a íntegra da declaração do presidente brasileiro.

Meu caro amigo presidente da República da Coreia [Lee Jae-myung}; meu caro ministro das Relações Exteriores da Coreia, Cho Hyun.

Meu caro embaixador Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil, em nome de quem eu cumprimento toda a delegação brasileira que participa desse evento.

Esta visita de Estado conclui um ciclo fundamental da política externa do Brasil em meu terceiro mandato.

Nos últimos três anos, fortalecemos vínculos com a Ásia, centro dinâmico da economia mundial.

Estive na China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia e Vietnã.

Em outubro passado, fui o primeiro presidente brasileiro a participar de uma Cúpula da ASEAN.

Esse périplo não estaria completo sem a Coreia, referência mundial em tecnologia, inovação e cultura.

Esta é a terceira vez que venho a Seul.

Realizei visita oficial em 2005 e voltei em 2010, por ocasião da Cúpula do G20.

Desde então, nenhum outro mandatário brasileiro veio ao país.

Esse hiato é incompatível com os vínculos sociais e econômicos existentes entre nossos povos.

Hoje, elevamos o relacionamento entre Brasil e Coreia ao patamar de Parceria Estratégica e lançamos um Plano de Ação com iniciativas concretas para os próximos três anos.

Ao fortalecer mecanismos de cooperação e intercâmbio, tornaremos cada vez mais fortes os laços humanos e de solidariedade que nos unem.

O Brasil abriga a maior comunidade coreana da América Latina, com cerca de cinquenta mil pessoas.

Há mais de sessenta anos, ela nos honra com seu trabalho, cultura e gastronomia.

O K-pop, o K-drama e a K-food têm no Brasil milhões de admiradores.

Quase dois mil brasileiros vivem atualmente na Coreia, número que tende a continuar crescendo.

Apesar da distância geográfica, as histórias políticas recentes de Brasil e Coreia têm muito em comum.

Nos anos oitenta, após longos períodos de luta e resistência, conquistamos a redemocratização.

Quatro décadas depois, enfrentamos novamente tentativas de golpe de Estado.

Felizmente, quando colocadas à prova, nossas democracias mostraram firmeza e resiliência.

Diante de ataques às instituições nacionais, reafirmamos a força da soberania popular.

Em tempos de extremismos, desinformação e ameaças autoritárias, é fundamental articular lideranças comprometidas com valores democráticos.

Reforcei o convite para que o presidente Lee participe do encontro em defesa da democracia, que será realizado em Barcelona, em abril.

Brasil e Coreia são firmes defensores da paz, do multilateralismo e do direito internacional.

A Coreia é parceira na luta contra a mudança climática e atuou de forma muito construtiva na COP-30, em Belém.

A nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) coreana reflete o compromisso com a descarbonização.

Nossos países também possuem um histórico bem-sucedido de cooperação econômica.

O Brasil é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina.

Com um intercâmbio de 11 bilhões de dólares, a Coreia é nosso 4º parceiro comercial na Ásia.

Mas ainda temos muitas sinergias a serem exploradas.

A transição energética abre novas frentes de complementariedade entre setores produtivos.

As cadeias de minerais críticos guardam inúmeras oportunidades de agregação de valor.

Há amplo espaço para cooperação em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial.

Expus ao presidente Lee que a conclusão dos procedimentos sanitários para a exportação de carne bovina brasileira poderá beneficiar os consumidores coreanos.

Setores que vão da indústria de beleza ao audiovisual podem ser potencializados por novas parcerias.

Para fomentar investimentos recíprocos, celebramos um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva que vai facilitar o comércio bilateral, promover harmonização regulatória e trazer mais segurança para empresas.

Firmamos ainda um Memorando que vai fortalecer a cooperação financeira em torno de agendas de interesse comum dos dois países.

Em relação às negociações entre o MERCOSUL e a República da Coreia, discutimos caminhos para retomar as tratativas interrompidas em 2021.

Assinamos hoje acordos em uma variada gama de temas, como saúde, empreendedorismo, agricultura, ciência e tecnologia e combate ao crime organizado transnacional.

Na área de saúde, os instrumentos abrangem produção de medicamentos e vacinas; pesquisa em diagnóstico de doenças transmissíveis e doenças crônicas; bem como genômica avançada e saúde digital.

Meu ministro da Saúde vai visitar mais um hospital inteligente aqui na Coreia, em busca de melhores práticas para o nosso Sistema Único de Saúde.

Em breve, meu governo vai inaugurar o primeiro hospital inteligente do Brasil, em São Paulo.

A inteligência artificial será igualmente objeto de iniciativas conjuntas de apoio a startups micro, pequenas e médias empresas.

Na agricultura, vamos colaborar em projetos de adaptação climática, bioeconomia, segurança de alimentos e tecnologias agroindustriais.

No campo científico e tecnológico, serão abarcados os setores de biotecnologia, aeroespacial, transição digital, comunicações móveis avançadas, e Internet das coisas.

Há menos de uma semana, em uma bela coincidência, celebrávamos ao mesmo tempo o Ano Novo Lunar coreano e o carnaval brasileiro.

Agora, damos início a um renovado ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada entre Brasil e Coreia.

Temos muito trabalho pela frente.

É significativo que esta visita de Estado se realize no raro ano do Cavalo de Fogo, que ocorre a cada 60 anos e traz consigo grandes transformações e oportunidades.

Em breve, espero pode recebê-lo no Brasil e retribuir a hospitalidade conferida a minha delegação.

Muito obrigado.

Gamsahamnida.

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