"É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil", diz Lula ao deixar a Índia
Antes de embarcar para a Coreia do Sul, o presidente Lula falou sobre BRICS, ONU, comércio exterior e relação com Donald Trump
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (22) que o Brasil vive um momento de expansão comercial e fortalecimento internacional, ao fazer um balanço da visita de Estado à Índia. Antes de embarcar para a Coreia do Sul, o chefe do Executivo destacou metas ambiciosas para o comércio exterior e defendeu maior protagonismo do país nos fóruns globais. Lula ressaltou que a estratégia do governo tem sido ampliar mercados e reforçar a presença do Brasil no cenário internacional.
“É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil. Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo”, afirmou o presidente em entrevista coletiva em Nova Déli. Ele acrescentou que a política comercial brasileira é orientada por interesses nacionais. “Nós não temos preferência comercial. O Brasil tem interesses comerciais. E o faremos com quem quiser fazer, desde que seja uma política de ganha-ganha”.
Comércio exterior em expansão
Lula recordou que, há 21 anos, ao retornar de uma viagem à Índia, celebrou a marca de 100 bilhões de dólares em comércio exterior. Atualmente, segundo ele, esse volume alcança cerca de 649 bilhões de dólares. “Hoje, esse comércio está por volta de 649 bilhões de dólares. E eu espero que, dentro de algum tempo, a gente possa comemorar um trilhão de dólares de comércio exterior”, declarou.
Sobre a relação com a Índia, o presidente demonstrou confiança na ampliação do fluxo bilateral. De acordo com Lula, o primeiro-ministro Narendra Modi propôs uma meta de 20 bilhões de dólares até 2030. “O primeiro-ministro (Narendra) Modi estabeleceu comigo a ideia de que nós precisamos ter uma meta para chegar a 20 bilhões (de dólares) até 2030. Eu disse: nós vamos chegar a 30 bilhões em 2030, porque o potencial econômico dos dois países é muito forte”, afirmou.
Em 2025, o comércio entre Brasil e Índia superou 15 bilhões de dólares pela primeira vez, com crescimento de 25% em relação ao ano anterior.
Acordos e cooperação bilateral
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, detalhou que os dois países decidiram priorizar iniciativas em áreas como defesa, aviação civil e militar, comércio, investimentos, saúde, indústria farmacêutica, ciência, tecnologias digitais, energia, minerais críticos, cooperação espacial, educação e cultura.
“Foram assinados 11 acordos governamentais. Dentre eles, destaco a declaração que estabeleceu a parceria digital para o futuro, além de instrumentos nas áreas dos minerais críticos, propriedade intelectual, saúde, serviços postais, empreendedorismo e certificados de origem, entre vários outros. Foram também firmados três instrumentos público-privados entre universidades, fundações e outros entes governamentais”, afirmou o chanceler.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, classificou a missão como a mais relevante da atual gestão. “De todas as missões, acho que essa foi a maior, com extraordinários resultados, e que tem um futuro extraordinário pela frente. Nós inauguramos o escritório da Apex aqui em Nova Délhi, que já está funcionando. Nós colocamos produtos do Brasil na maior rede de supermercados daqui de Nova Délhi. Amanhã, vamos colocar na maior rede de supermercados de Mumbai. São pelo menos 40 lojas que já vão ter produtos brasileiros: castanha, açaí, limão, frutos”, afirmou.
Relação com os Estados Unidos
Ao comentar a expectativa de encontro com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Lula afirmou que pretende tratar de uma agenda ampla entre os dois países.
“A pauta que eu quero conversar com o presidente norte-americano é muito mais ampla do que minerais críticos. Nós temos uma relação diplomática de 201 anos. É uma relação muito sólida. O que eu quero conversar com o Trump é a relação entre o Brasil e os Estados Unidos. Eu não sei qual é a pauta dele, mas eu espero que, depois dessa reunião, a gente possa estar garantindo que a gente voltou a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa”, disse.
O presidente também defendeu tratamento igualitário nas relações bilaterais. “Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário. Se isso for possível, eu acho que tudo voltará à normalidade”.
Sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, Lula afirmou que buscará diálogo direto. “Eu quero conversar com o Trump pessoalmente, sentar em torno de uma mesa para conversar com muita seriedade sobre a importância da relação civilizada entre Brasil e Estados Unidos”, declarou. Ele acrescentou que não cabe a outro chefe de Estado avaliar decisões judiciais norte-americanas. “Eu não tenho como ficar medindo a decisão da Suprema Corte americana. Não tem como um presidente de outro país julgar a decisão da Suprema Corte”.
Reforma da ONU e fortalecimento do BRICS
Lula voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. “Nós precisamos ter fóruns para discutir as coisas, porque senão as coisas não mudam”, afirmou. O presidente questionou a ausência de países populosos e de regiões como África e América Latina no colegiado.
“Por que a Índia não está no Conselho de Segurança da ONU? Um país com um bilhão e quatrocentos milhões de seres humanos. Por que o Brasil não está? Por que a Alemanha não está? Por que o México não está? Por que a Nigéria não está? Por que o Egito não está?”, indagou. Segundo ele, a ONU precisa de maior representatividade para recuperar eficácia. “Do jeito que está a ONU, ela tem hoje pouquíssima eficácia. Ela não resolve nenhum problema. É preciso fortalecer a ONU se a gente quer que prevaleça uma instituição de importância vital para a manutenção da paz e da harmonia no mundo”.
O presidente também ressaltou a importância do BRICS na reorganização do cenário global. “O BRICS é um processo de formação de um grupo muito forte. Quase metade da humanidade”, afirmou. Para Lula, o fortalecimento do bloco pode contribuir para o equilíbrio geopolítico. “Eu estou convencido de que o BRICS é um jeito da gente ter o equilíbrio geopolítico no planeta Terra”, concluiu.