EUA dizem apoiar "direito de defesa" do Paquistão contra o Afeganistão
Declaração ocorre após Islamabad falar em "guerra aberta" e Talibã afegão sinalizar disposição para negociar
Reuters – Os Estados Unidos afirmaram nesta sexta-feira (27) que apoiam o "direito de defesa" do Paquistão contra ataques dos governantes talibãs do Afeganistão, depois que Islamabad declarou mais cedo no mesmo dia que os países vizinhos estavam em "guerra aberta".
Os governantes do Afeganistão disseram nesta sexta-feira que estavam dispostos a negociar após o Paquistão bombardear suas forças em grandes cidades.
"Os Estados Unidos apoiam o direito do Paquistão de se defender contra ataques do Talibã, um grupo Terrorista Global Especialmente Designado", afirmou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA em comunicado enviado por e-mail.
O Paquistão possui armas nucleares e suas capacidades militares são muito superiores às do Afeganistão. No entanto, o Talibã tem experiência em guerra de guerrilha, consolidada após décadas de combate contra forças lideradas pelos Estados Unidos, antes de retornar ao poder em 2021, quando Washington se retirou de forma caótica.
O Paquistão é um importante aliado extra-OTAN de Washington. Os Estados Unidos consideram o Talibã afegão um grupo "terrorista".
A violência mais recente teve início após ataques aéreos do Paquistão em território afegão no último fim de semana, que desencadearam ações retaliatórias afegãs ao longo da fronteira na quinta-feira, intensificando tensões que vinham se acumulando em razão da acusação paquistanesa de que o Afeganistão abriga militantes do Talibã paquistanês. Cabul nega a acusação e sustenta que o Paquistão tenta desviar a responsabilidade por suas próprias falhas de segurança.
O porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington estava ciente da escalada das tensões e do "início dos combates entre o Paquistão e o Talibã afegão", acrescentando que os Estados Unidos estão "entristecidos com a perda de vidas".
Ambos os lados relataram perdas significativas nos confrontos, que o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, classificou como uma "guerra aberta".
"O Talibã falhou consistentemente em cumprir seus compromissos de contraterrorismo", afirmou o Departamento de Estado, acrescentando que "grupos terroristas usam o Afeganistão como plataforma para lançar seus ataques hediondos".


