Nathalia Urban por Milenna Saraiva

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Brics pedem cessar-fogo imediato entre Afeganistão e Paquistão

Rússia, China, Irã e Índia manifestam preocupação com escalada militar e defendem diálogo para conter confrontos na fronteira da Linha Durand

BRICS (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - A escalada de confrontos entre Afeganistão e Paquistão levou países do Brics a defenderem a interrupção imediata das hostilidades na região fronteiriça. Rússia, China, Irã e Índia expressaram preocupação com o agravamento da crise e apelaram por uma solução diplomática para conter os combates, segundo a teleSUR.

De acordo com a emissora, as tensões se intensificaram após uma sequência de ataques cruzados nos últimos dias, com ambos os governos atribuindo responsabilidades mútuas pelos episódios de violência. O aumento dos confrontos reacendeu alertas sobre a estabilidade regional e elevou o temor de novas vítimas civis.

Pelo lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Moscou acompanha atentamente a evolução da situação na fronteira comum e considerou precipitado tirar conclusões definitivas neste momento. Ainda assim, advertiu que confrontos diretos “não trazem nada de bom” para a estabilidade regional.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou Afeganistão e Paquistão como países amigos e defendeu a retomada do diálogo político e diplomático para superar as divergências, instando ambas as partes a abandonarem a confrontação.

A China também se pronunciou, informando que tem atuado por meio de canais próprios para contribuir com a redução das tensões. Durante coletiva de imprensa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarou que Pequim acompanha os acontecimentos com “profunda preocupação” e lamentou as vítimas registradas nos enfrentamentos. Segundo ela, uma eventual ampliação do conflito poderá gerar danos ainda maiores. A diplomata pediu que as partes mantenham a calma, priorizem negociações e alcancem um cessar-fogo no menor prazo possível. Mao Ning reiterou ainda que o país rejeita o terrorismo em qualquer de suas formas.

O governo do Irã também apelou ao diálogo e ao entendimento entre Cabul e Islamabad, colocando-se à disposição para atuar como mediador em busca de uma saída política para a crise.

Já a Índia condenou os recentes episódios de violência. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores indiano, Randhir Jaiswal, afirmou que as incursões aéreas paquistanesas, que deixaram vítimas civis, representam “uma nova tentativa de externalizar fracassos domésticos”. Nova Délhi reiterou seu apoio à soberania e à integridade territorial do Afeganistão.

Novos confrontos e aumento das vítimas

Os embates mais recentes incluíram bombardeios da Força Aérea do Paquistão contra alvos em Cabul, Kandahar e na província de Paktia, durante a noite, em resposta a operações transfronteiriças lançadas pelo Afeganistão contra instalações militares paquistanesas.

Esses episódios ocorreram após Islamabad ter atacado território afegão no sábado anterior, na sequência de atentados suicidas e outros atos violentos em solo paquistanês reivindicados pelo Tehrik-i-Taliban Pakistan e pelo Estado Islâmico da Província de Khorasan.

As fricções entre os dois países já vinham se acumulando desde o ano passado, quando incidentes fronteiriços e explosões intensificaram a troca de acusações. Em outubro, negociações realizadas em Doha, com mediação do Catar e da Türkiye, resultaram em um cessar-fogo. A trégua, no entanto, não foi suficiente para impedir o agravamento da insegurança.

A fronteira que separa Afeganistão e Paquistão, conhecida como Linha Durand, foi estabelecida em 1893 pela administração britânico-indiana. Após a independência do Paquistão, em 1947, o Afeganistão não reconheceu oficialmente o traçado, fator que contribuiu para décadas de disputas.

Nos últimos meses, o Paquistão registrou aumento da violência, especialmente nas províncias de Khyber Pakhtunkhwa e Baluchistão, com ataques atribuídos a grupos terroristas. Em 6 de fevereiro, o Estado Islâmico reivindicou um atentado contra uma mesquita xiita em Islamabad, considerado o mais letal na capital desde o ataque ao Hotel Marriott, em 2008, que deixou 60 mortos.

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