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EUA emitem alertas à aviação e citam risco de ações militares e interferência de GPS nas Américas

FAA recomenda cautela em voos sobre México, América Central, Equador e Colômbia após escalada de tensões e operação dos EUA na Venezuela

Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (Foto: Reuters)

247 – A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) informou, nesta sexta-feira, que está emitindo uma série de alertas às companhias aéreas para que tenham cautela ao sobrevoar a América Central e partes da América do Sul, diante do risco de possíveis atividades militares e de interferência em sinais de GPS.

A informação foi publicada pela Agência Brasil, com base em reportagem da Reuters, e relata que os avisos começaram nesta sexta-feira e terão duração de 60 dias.

Segundo a FAA, os alertas abrangem o México e países da América Central, além do Equador, da Colômbia e de partes do espaço aéreo no leste do Oceano Pacífico. A agência não detalhou quais cenários específicos motivaram cada aviso, mas apontou como fatores de risco a possibilidade de atividades militares e falhas de navegação por satélite.

A medida ocorre em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e lideranças regionais, após o governo do presidente Donald Trump montar uma força militar em grande escala no sul do Caribe e atacar a Venezuela, prendendo o presidente Nicolás Maduro em uma operação militar. De acordo com o relato, Trump levantou a possibilidade de novas ações militares na região, inclusive contra a Colômbia.

O texto também menciona que, na semana passada, Trump afirmou que cartéis estariam “comandando o México” e sugeriu a hipótese de ataques a alvos terrestres como forma de enfrentá-los, em mais um sinal de que Washington cogita empregar poder militar contra organizações ligadas ao narcotráfico.

Os alertas da FAA se inserem, ainda, no impacto imediato da operação na Venezuela sobre a aviação civil. Após o ataque ao país, a agência restringiu voos em todo o Caribe, o que levou ao cancelamento de centenas de voos de grandes companhias aéreas, ampliando o efeito em cadeia sobre rotas comerciais e conexões internacionais.

Nesse contexto, o administrador da FAA, Bryan Bedford, disse à Reuters que houve “boa coordenação” entre a agência e os militares dos EUA antes da operação na Venezuela, segundo a reportagem.

O material traz ainda um episódio recente que ilustra o tipo de risco operacional que preocupa o setor. No mês passado, um jato de passageiros da JetBlue, a caminho de Nova York, realizou manobras evasivas para evitar uma colisão em pleno ar com um avião-tanque da Força Aérea dos EUA perto da Venezuela. O voo 1112 havia partido de Curaçao e voava a cerca de 64 km da costa venezuelana quando a tripulação relatou ter encontrado o jato militar sem o transponder ativado.

Para companhias aéreas, pilotos e autoridades de tráfego aéreo, o conjunto de alertas adiciona um novo patamar de incerteza a rotas já sensíveis por fatores geopolíticos e operacionais. O risco apontado pela FAA combina dois elementos críticos para a segurança: a possibilidade de ações militares em áreas de sobrevoo e a interferência em GPS, tecnologia essencial para navegação, aproximação e procedimentos de segurança em diferentes fases do voo.

Com validade de 60 dias, os avisos tendem a influenciar o planejamento de rotas, a gestão de combustível e as decisões de contingência de empresas que operam entre América do Norte, Caribe, América Central e América do Sul. Em cenários de maior tensão, alertas desse tipo podem resultar em desvios preventivos e aumento de custos operacionais, além de afetar a regularidade de voos em corredores já muito demandados por turismo e negócios.

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