Trump diz que não apoiará ala extremista da oposição venezuelana e cita Iraque como alerta contra o caos
Presidente dos EUA afirma que temeu repetição do cenário pós-invasão de 2003 e relata encontro reservado com María Corina Machado
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que decidiu não apoiar a ala extremista da oposição venezuelana após os bombardeios na Venezuela e o sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro, por temer que a nação mergulhasse em um cenário de caos semelhante ao que se seguiu à invasão norte-americana do Iraque, em 2003.
As declarações foram publicadas pela RT Brasil, que relatou a fala de Trump à imprensa em Washington e os desdobramentos políticos depois da ofensiva militar norte-americana contra a Venezuela.
Trump compara situação da Venezuela ao caos do Iraque
Ao responder a uma pergunta de jornalistas, Trump usou o exemplo do Iraque para justificar sua decisão de não se alinhar à opositora extremista María Corina Machado como alternativa de poder em Caracas.
“Vocês lembram de um lugar chamado Iraque, onde demitiram todo mundo, cada pessoa, a polícia, os generais, todos, e no fim surgiu o Estado Islâmico (EI)*? Em vez de simplesmente organizar as coisas, acabou virando o EI. Eu me lembro bem disso”, disse Trump.
Segundo o registro reproduzido na reportagem, o questionamento da imprensa foi sobre o motivo de Trump se alinhar a Delcy Rodríguez e não a Machado. O presidente respondeu reafirmando sua visão de que a desorganização institucional provocada por uma ruptura total pode abrir espaço para grupos extremistas, como ocorreu após a ocupação do Iraque.
Encontro reservado com María Corina Machado e elogios públicos
Trump também mencionou uma reunião privada e discreta que teria ocorrido na véspera, no refeitório da Casa Branca, com María Corina Machado. De acordo com o relato, não houve declarações públicas no momento do encontro, mas a política venezuelana lhe entregou a medalha recebida em dezembro, quando foi laureada com o Nobel da Paz de 2025.
“Vou dizer a vocês que ontem tive uma grande reunião com uma pessoa que eu respeito muito. E ela, obviamente, me respeita e respeita o nosso país. Ela me deu o Prêmio Nobel dela. Mas digo uma coisa: eu a conheci ali. Nunca a tinha visto antes. E fiquei muito impressionado. Ela é uma mulher realmente… uma grande mulher”, afirmou Trump.
Apesar do tom elogioso, o governo dos Estados Unidos segue avaliando que Machado não seria a pessoa adequada para governar a Venezuela, segundo o texto.
Casa Branca diz que avaliação de Trump sobre Machado “não mudou”
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada na quinta-feira sobre uma declaração anterior de Trump — dada logo após a ação militar — na qual ele teria afirmado que Machado não tinha apoio político suficiente nem “respeito” dentro do próprio país, o que a impediria de assumir o governo.
“Acho que a avaliação do presidente, que você acabou de mencionar, foi baseada na realidade do país. Foi uma análise realista, construída a partir do que o presidente lia e ouvia de seus assessores e da equipe de segurança nacional. Até o momento, a opinião dele não mudou. Ele também já disse que não pode fazer nada a respeito”, respondeu Leavitt.
Bombardeios, sequestro de Maduro e posse de Delcy Rodríguez
Segundo a reportagem, no sábado (3) os Estados Unidos lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e de Flores, que foram levados para Nova York.
Caracas classificou as ações de Washington como uma “gravíssima agressão militar” e afirmou que o objetivo do ataque seria “apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação”.
Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5), em sua primeira audiência perante a Justiça dos Estados Unidos no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, onde é acusado de narcoterrorismo. Flores, de acordo com o texto, também se declarou inocente.
Ainda conforme a publicação, a vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada da Venezuela, assumindo o comando do país em meio à crise provocada pela intervenção norte-americana.
Reações internacionais: Rússia e China pedem libertação
A reportagem aponta que muitos países do mundo, entre eles Rússia e China, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa e declarou:
“Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela”, acrescentou.


