EUA nomeiam Rubio, Blair e Kushner para governo de transição em Gaza
A ofensiva de Israel contra o povo palestino desde o fim de 2023 contou com o apoio dos EUA e matou dezenas de milhares de pessoas
Reuters — A Casa Branca anunciou nesta sexta-feira os nomes do chamado "Conselho da Paz" que, segundo o plano do presidente Donald Trump, supervisionará a governança temporária de Gaza, que continua a registrar violência letal apesar de um cessar-fogo frágil que entrou em vigor em outubro.
Entre os nomes estão o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o genro de Trump, Jared Kushner, informou a Casa Branca. De acordo com o plano revelado no fim do ano passado, Trump será o presidente do conselho.
Israel e o grupo militante palestino Hamas concordaram em outubro com o plano de Trump, que prevê que um órgão tecnocrático palestino seja supervisionado por um conselho internacional, o chamado "Conselho da Paz", encarregado de administrar Gaza durante um período de transição.
O conselho também inclui o executivo de private equity e bilionário Marc Rowan, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e Robert Gabriel, assessor de Trump, segundo a Casa Branca, que acrescentou que Nickolay Mladenov, ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, exercerá o papel de alto representante para Gaza. A declaração da Casa Branca não detalhou as responsabilidades de cada integrante.
Diversos especialistas e defensores de direitos humanos já afirmaram anteriormente que Trump presidir um conselho para supervisionar a governança de um território estrangeiro se assemelha a uma estrutura colonial, enquanto a participação de Blair foi criticada no ano passado devido ao seu papel na guerra do Iraque.
O major-general Jasper Jeffers, ex-comandante de operações especiais dos Estados Unidos, foi nomeado comandante da Força Internacional de Estabilização, informou a Casa Branca. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, adotada em meados de novembro, autorizou o "Conselho da Paz" e os países que atuam com ele a estabelecer essa força em Gaza.
Israel e o Hamas acusam-se mutuamente de violações do cessar-fogo em Gaza, onde, desde o início da trégua em outubro, mais de 440 palestinos, incluindo mais de 100 crianças, e três soldados israelenses teriam sido mortos.
A ofensiva de Israel contra Gaza desde o fim de 2023 matou dezenas de milhares de pessoas, provocou uma crise de fome e deslocou internamente toda a população de Gaza. Diversos especialistas em direitos humanos, acadêmicos e uma investigação da ONU afirmam que isso equivale a genocídio. Israel declarou que agiu em legítima defesa após militantes liderados pelo Hamas matarem 1.200 pessoas e fazerem mais de 250 reféns no ataque de outubro de 2023.


