HOME > Mundo

Israel avança com plano para construir milhares de moradias ilegais na Cisjordânia

Projeto E1 prevê 3.401 casas e pode dividir o território palestino, aprofundando o isolamento de Jerusalém Oriental

Cisjordânia (Foto: Divulgação )

247 - O governo de Israel voltou a dar passos concretos para ampliar a construção de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, em uma iniciativa que ameaça aprofundar a fragmentação territorial palestina e inviabilizar a criação de um Estado soberano. O plano envolve a edificação de milhares de novas moradias em uma área estratégica, com impacto direto sobre a continuidade geográfica entre o norte e o sul da Cisjordânia.

Segundo a Telesur, a Autoridade de Terras de Israe lançou de forma discreta, em meados de dezembro, um edital para a construção de 3.401 unidades habitacionais no chamado projeto E1, localizado a leste de Jerusalém.

De acordo com o levantamento, a licitação não foi anunciada publicamente e estabelece as condições para que empresas apresentem propostas até meados de março. Caso o projeto seja executado, a área de E1 passará a separar efetivamente o norte e o sul da Cisjordânia para a população palestina, além de intensificar o isolamento de Jerusalém Oriental, território considerado parte fundamental de um futuro Estado palestino.

Para Yonatan Mizrachi, codiretor do Settlement Watch, iniciativa do grupo israelense Peace Now, a abertura do edital indica uma aceleração deliberada do plano. Segundo ele, a licitação “reflete um esforço acelerado para avançar com a construção em E1”, avaliação feita após a entidade localizar o documento disponibilizado online.

A proposta de ocupação dessa região não é recente. A ideia surgiu ainda na década de 1990, durante o governo de Yitzhak Rabin, então primeiro-ministro de Israel, assassinado em 1995 por um extremista de direita. Desde então, o projeto tem recebido apoio de diferentes espectros políticos israelenses, apesar das reiteradas críticas da comunidade internacional.

O atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já declarou em diversas ocasiões que “não haverá um Estado palestino”, posicionamento que contraria frontalmente resoluções e pareceres de organismos internacionais. A construção de assentamentos em territórios ocupados é considerada uma violação do direito internacional humanitário, entendimento reafirmado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) da ONU, que determinou o fim dessas iniciativas classificadas como colonialistas.

Além das decisões da CIJ, mais de 20 países já se manifestaram formalmente contra o avanço do projeto E1, entre eles aliados históricos de Israel como França, Canadá, Itália e Austrália. Apesar disso, até o momento não houve um posicionamento público do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a nova licitação.

No campo palestino, o Ministério do Interior reiterou recentemente que não aceitará qualquer tipo de interferência externa ou ações de grupos e entidades sionistas que, segundo o órgão, representem ameaça direta à integridade nacional e aos direitos do povo palestino.

Artigos Relacionados