Hamas diz estar pronto para dissolver governo em Gaza
Grupo palestino afirma estar disposto a transferir poder a conselho tecnocrático como parte de acordo de cessar-fogo proposto para o enclave
247 - O Hamas declarou que está disposto a dissolver o governo que mantém na Faixa de Gaza e a transferir a administração do território para uma autoridade palestina independente de caráter tecnocrático. A sinalização ocorre no contexto das negociações de cessar-fogo com Israel e de um plano mais amplo para reorganização política do enclave palestino. As informações são da Xinhua.
O porta-voz do grupo, Hazem Qassem, comentou a proposta apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltada à criação de um Conselho de Paz para Gaza.
Em declaração transmitida pela televisão, Qassem afirmou: “Após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre sua intenção de formar um Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, o Movimento [Hamas] orientou todos os órgãos e instituições governamentais a estarem prontos para transferir todas as suas responsabilidades para este conselho”.
O Hamas governa a Faixa de Gaza desde 2007, após vencer eleições locais. A eventual dissolução dessa administração e a formação de uma nova estrutura de poder estão previstas no plano de paz apresentado por Trump, que contém 20 pontos. Segundo o documento, essa mudança política integra a segunda fase do acordo, etapa que ainda não foi iniciada, apesar de um cessar-fogo estar em vigor desde o ano passado.
Essa fase também prevê o desarmamento do Hamas. A expectativa é que o avanço do plano ocorra após a devolução, pelo grupo palestino, do corpo do último refém ainda mantido em Gaza.
No fim de novembro de 2025, o governo da Turquia, que atua como um dos mediadores das negociações, informou que já foi aprovada a lista do comitê palestino que deverá administrar Gaza durante o período de transição. Segundo Ancara, o órgão terá caráter não político e será responsável pela gestão de serviços essenciais no território.
Entre as atribuições desse comitê estão a administração do fornecimento de eletricidade e água, além da coordenação da distribuição de ajuda humanitária e de alimentos à população do enclave palestino.
Apesar da vigência do cessar-fogo, operações militares israelenses continuaram a ser registradas de forma pontual em Gaza. O Ministério da Saúde local, administrado pelo Hamas, informou que mais de 350 palestinos morreram desde o início da trégua, sendo a maioria civis, segundo o próprio órgão.



