Ex-príncipe Andrew deixa mansão real após novas revelações do caso Epstein
O impacto político do novo material também se estendeu a outras figuras públicas
247 - O ex-príncipe Andrew, irmão mais novo do rei Charles III, deixou a mansão onde vivia na propriedade real de Windsor depois da divulgação de novos arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein. A mudança foi confirmada por uma fonte da realeza nesta quarta-feira (4) e ocorre em meio a novas informações consideradas prejudiciais sobre os vínculos do duque com o magnata americano acusado de crimes sexuais.
As informações foram publicadas pela agência Reuters, em reportagem assinada por Sarah Young, Michael Holden, Paul Sandle e Alex Richardson. Segundo a apuração, Andrew Mountbatten-Windsor, de 65 anos, deixou o Royal Lodge, residência que ocupava havia décadas, e foi levado para uma casa de campo em Sandringham, propriedade do rei em Norfolk, no leste da Inglaterra.De acordo com o jornal The Sun, o ex-príncipe esperava permanecer por mais tempo na mansão georgiana de 30 cômodos, mas a mudança ocorreu de forma discreta na segunda-feira (2).
Uma fonte da realeza afirmou que ele poderá retornar ocasionalmente a Windsor nas próximas semanas, enquanto um período de transição é concluído.Um amigo não identificado disse ao tabloide britânico: "Com o último lote de documentos sobre Epstein, ficou claro para ele que era hora de ir embora". A mesma fonte acrescentou: "A partida foi tão humilhante para ele que ele optou por fazê-la às escondidas."Nos últimos dias, Andrew havia sido fotografado cavalgando em Windsor, a oeste de Londres. Ele sempre negou qualquer envolvimento com Epstein. No entanto, após a divulgação mais recente de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Polícia do Vale do Tâmisa informou na terça-feira (3) que está analisando uma nova acusação relacionada ao ex-príncipe.
Os novos arquivos incluem e-mails que sugerem que Mountbatten-Windsor manteve contato regular com Epstein por mais de dois anos depois da condenação do financista por crimes sexuais contra menores. Andrew havia afirmado anteriormente que rompeu relações após a condenação de 2008, com exceção de uma visita a Nova York, em 2010, para encerrar o relacionamento.
O segundo filho da falecida rainha Elizabeth II foi afastado da vida pública em 2019, quando foi forçado a renunciar a todos os seus deveres reais oficiais. Três anos depois, fez um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre, que o acusava de abuso sexual quando ela era adolescente. Embora ele sempre tenha negado a acusação, o tema voltou ao centro do debate público com novas divulgações de documentos.
No ano passado, a divulgação de arquivos ligados a Epstein já havia pressionado o Palácio de Buckingham a tomar medidas mais duras. Em outubro, o rei Charles anunciou a retirada do título de príncipe de Andrew e determinou que ele fosse removido da Residência Real Britânica, em uma das ações mais severas contra um membro da família real na história recente do Reino Unido. O monarca declarou, à época, que sua solidariedade estava com as vítimas de abuso.
O impacto político do novo material também se estendeu a outras figuras públicas. A polícia britânica abriu uma investigação contra Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, por suspeita de má conduta em cargo público, após alegações de que ele teria vazado informações confidenciais de mercado para Epstein.
Diante das novas revelações, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou no sábado (31) que o ex-príncipe deveria depor perante uma comissão do Congresso americano. A saída de Andrew de Windsor, nesse contexto, é vista por analistas como mais um capítulo de um escândalo que continua a gerar repercussões para a monarquia britânica.


