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'G7 virou um samba de uma nota só', diz Lula

Presidente afirma que grupo aprova documentos antes da chegada dos convidados, rejeita parte das declarações finais e defende relação com a China

'G7 virou um samba de uma nota só', diz Lula (Foto: Reprodução/Agência Gov)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (17) o funcionamento do G7, grupo que reúne algumas das maiores economias industrializadas do mundo, e afirmou que o bloco está se tornando “um samba de uma nota só”. A declaração foi dada durante entrevista coletiva em Genebra, na Suíça, após reunião com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

Segundo informações publicadas pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, Lula demonstrou insatisfação com a dinâmica das reuniões do G7, especialmente em relação à participação dos países convidados, que não integram formalmente o grupo, mas são chamados para determinadas cúpulas.

“O G7 está ficando quase que um samba de uma nota só. Quando os convidados chegam na reunião, o G7 já aprovou seus documentos”, afirmou o presidente ao comentar sua participação na recente cúpula realizada na França.

Brasil não aderiu à maioria das declarações

Durante a entrevista, Lula explicou que o Brasil decidiu apoiar apenas três das oito declarações apresentadas pelo G7. De acordo com o presidente, o governo brasileiro concordou com os documentos relacionados ao combate ao câncer, à proteção de crianças no ambiente digital e ao enfrentamento do narcotráfico.

“Não concordamos nos outros, porque o Brasil tem uma visão diferenciada”, declarou.

A fala reforça a posição adotada pelo governo brasileiro em fóruns internacionais, nos quais busca manter autonomia em temas considerados estratégicos para a política externa do país.

Relação com a China

Ao abordar questões geopolíticas discutidas no encontro, Lula também comentou as críticas feitas por Estados Unidos e União Europeia à China. O presidente deixou claro que o Brasil não pretende se envolver em disputas entre as potências ocidentais e o governo chinês.

“Não queremos entrar na briga dos dois. Para nós, a China é importante. Não tenho nenhuma queixa da China”, afirmou.

A China é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil e desempenha papel central nas exportações brasileiras, especialmente nos setores de commodities agrícolas e minerais.

Influência chinesa na América Latina e África

Lula também avaliou o crescimento da presença chinesa em regiões como América Latina e África. Segundo ele, o avanço da influência de Pequim ocorreu em um contexto de redução da atuação de países ocidentais nesses territórios.

Na avaliação do presidente, os Estados Unidos e os países europeus diminuíram sua presença nessas regiões ao longo dos últimos anos, criando espaço para uma expansão das relações econômicas e diplomáticas chinesas.

Lula citou ainda a União Europeia como exemplo desse processo. Segundo o presidente, o bloco europeu concentrou parte significativa de seus esforços políticos e estratégicos no Leste Europeu, o que teria contribuído para ampliar a atuação chinesa em outras áreas do mundo.

Política externa independente

As declarações de Lula ocorrem em um momento de intensificação dos debates sobre a reorganização das relações internacionais e o papel das grandes potências globais. Ao defender uma postura independente, o presidente reiterou a estratégia do governo brasileiro de manter diálogo com diferentes atores internacionais.

Ao mesmo tempo em que participa de fóruns promovidos por países ocidentais, o Brasil tem buscado fortalecer relações com nações emergentes e ampliar sua atuação em organismos multilaterais, preservando autonomia na definição de suas posições diplomáticas.

Nesse contexto, as críticas feitas por Lula ao funcionamento do G7 e sua defesa da manutenção de boas relações com a China refletem a linha adotada pelo governo brasileiro em temas de política externa e governança global.

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