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Groenlândia admite parceria com EUA, mas rejeita perda de soberania

Primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen elogia postura de Donald Trump, admite ampliar cooperação com os EUA e afirma que a soberania da ilha é inegociável

Primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen (Foto: Marko Djurica/Reuters)

247 - O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta quinta-feira (22) que está disposto a negociar uma parceria mais estreita com os Estados Unidos, mas descartou qualquer possibilidade de ceder a soberania da ilha ao governo norte-americano. A declaração ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que não pretende recorrer ao uso da força militar para anexar o território.

Em pronunciamento divulgado pelo G1, Nielsen elogiou a postura de Trump ao afastar a hipótese de uma ação militar e sinalizou abertura para ampliar a cooperação com os Estados Unidos. Segundo ele, há espaço para maior participação norte-americana no território, desde que sejam respeitados os limites institucionais e políticos da Groenlândia.

Atualmente, os Estados Unidos já mantêm bases militares na Groenlândia e têm prerrogativas para atuar no território em situações de ameaça à segurança, especialmente no contexto estratégico do Ártico. Mesmo assim, o premiê deixou claro que qualquer avanço na relação bilateral não inclui concessões sobre o comando político da ilha.

Nielsen reforçou que a soberania é uma “linha vermelha” e reiterou que não aceitará ceder o governo nem partes do território aos Estados Unidos, como sugerido por Trump. A possibilidade foi levantada na quarta-feira (21), após o presidente norte-americano anunciar ter chegado a um acordo com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, envolvendo a Groenlândia.

No mesmo dia, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump voltou a defender a ideia de comprar a Groenlândia. Mais tarde, porém, recuou de ameaças comerciais e cancelou tarifas que pretendia impor a países europeus após se reunir com Rutte, o que reduziu momentaneamente a tensão diplomática.

Nesta quinta-feira, a Otan e a Dinamarca negaram que qualquer cessão de soberania tenha sido discutida. Rutte afirmou que o acordo citado não prevê entrega de território e se limita à possibilidade de intervenção da aliança no Ártico em caso de ameaças à segurança. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reforçou que “não houve negociação sobre soberania”, posição reiterada pela porta-voz da Otan, Allison Hart.

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