HOME > Mundo

Hezbollah denuncia violação de cessar-fogo no Líbano por Israel

Hezbollah adverte que vai reagir aos ataques israelenses no sul do país

Bandeiras do Hezbollah e de Israel (Foto: Dado Ruvic / Reuters)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O Hezbollah denuncia que Israel violou o cessar-fogo no Líbano e afirma manter o direito de resposta diante de ataques no sul do país, em meio a novos bombardeios e à pressão diplomática em torno de um acordo envolvendo Líbano, Israel e Estados Unidos.

Segundo informações da HispanTV, o Movimento de Resistência Islâmica Libanês afirmou, em comunicado divulgado nesta segunda-feira (29), que o Exército israelense segue realizando operações militares no sul do Líbano, em “clara violação” do acordo de cessar-fogo. A organização declarou que, até o momento, tem cumprido seus compromissos no âmbito da trégua, mas afirmou estar “monitorando e observando essas violações” e reservar-se “o direito de defender sua pátria e seu povo”.

De acordo com o comunicado citado pela HispanTV, Israel realizou uma série de ações recentes, incluindo a detonação de explosivos na cidade de Maydal Zoun e ataques aéreos contra Nabatieh, Meifdoun e Farun. O movimento também acusou as forças israelenses de destruírem prédios residenciais em Taybeh e Hadatha, além de lançarem bombas sônicas perto de civis nas áreas de Torre Qalaouiye e Braachit.

A escalada ocorre em meio a novos bombardeios israelenses contra diferentes pontos do sul do Líbano. Segundo o relato, os ataques da noite de domingo atingiram alvos em várias áreas da região, mantendo o cenário de tensão mesmo após os compromissos de suspensão das hostilidades.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou a ofensiva aérea e afirmou que os Estados Unidos foram informados previamente. Netanyahu e o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, disseram que as forças israelenses continuarão suas operações com o objetivo declarado de destruir a infraestrutura do Hezbollah e eliminar o que classificam como “uma ameaça às comunidades do norte”. Eles também afirmaram que tropas israelenses permanecerão na chamada zona de segurança no sul do Líbano.

O número de mortos em ataques israelenses no Líbano subiu para 4.230, segundo as informações fornecidas. O agravamento da situação ocorre em um momento delicado das negociações regionais, já que a suspensão dos ataques israelenses contra o território libanês aparece entre os compromissos relacionados a entendimentos conduzidos por Washington no contexto das tratativas com o Irã.

Teerã, por sua vez, insiste na definição de um cronograma para a retirada de Israel do Líbano. A posição iraniana ganha peso no debate regional diante da continuidade das operações militares e das divergências sobre as condições de segurança no sul libanês.

Paralelamente, delegações do governo libanês e de Israel, com participação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chegaram na sexta-feira, em Washington, a um entendimento denominado “acordo-quadro trilateral” entre Líbano, Israel e Estados Unidos. O texto incluiria, segundo as informações disponíveis, o desarmamento da Resistência e o desmantelamento de sua estrutura no Líbano, além da retirada condicional das forças israelenses do território libanês.

O anúncio provocou forte rejeição em várias regiões do Líbano. Protestos populares e críticas de acadêmicos, lideranças políticas e outras personalidades passaram a contestar o acordo, apontado por opositores como uma tentativa de impor novas condições à resistência libanesa em meio à permanência de tropas israelenses no sul do país.

Um dirigente do Hezbollah classificou o acordo entre Líbano e Israel como “nulo e sem efeito”, reforçando a oposição do movimento ao entendimento anunciado em Washington. A resistência libanesa sustenta que a continuidade das ofensivas israelenses mantém aberta a possibilidade de resposta, enquanto a região segue sob pressão militar e diplomática.

Artigos Relacionados