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Hezbollah rejeita acordo entre Israel e Líbano mediado pelos EUA

Resistência libanesa considera que acordo entre Israel e Líbano mediado pelos EUA favorece ocupação israelense

O líder do Hezbollah no Líbano, Naim Qassem (Foto: Al Manar TV/REUTERS TV/via REUTERS/Foto de arquivo)
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247 - O Hezbollah rejeitou o acordo entre Israel e Líbano mediado pelos Estados Unidos e afirmou que o pacto favorece a manutenção da ocupação israelense no sul libanês, em meio à continuidade das hostilidades na região e a um novo ataque com drone realizado por Israel neste sábado (27).

A informação foi divulgada pela Reuters, que relatou que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, classificou o acordo de segurança como uma “rendição” a Israel um dia após sua assinatura. Segundo a agência, o entendimento prevê uma retirada gradual de tropas israelenses de algumas áreas do sul do Líbano, acompanhada pelo envio do exército libanês, mas permite que Israel mantenha forças em uma zona de segurança ampliada por tempo indeterminado.

Em comunicado, Qassem afirmou que o acordo é “nulo e sem efeito” e acusou o governo libanês de fazer concessões unilaterais, em prejuízo da soberania nacional. O líder do Hezbollah também criticou os pontos que condicionam a retirada israelense ao desarmamento do grupo, sustentando que tais cláusulas legitimam a presença militar de Israel em território libanês.

Segundo ele, essas disposições cruzam “todas as linhas vermelhas”. Qassem acrescentou que o Hezbollah manterá sua atuação armada contra Israel: “Não abandonamos o campo de batalha nas circunstâncias mais difíceis e não o abandonaremos.”

O acordo mediado por Washington foi assinado na sexta-feira (26), em um contexto de forte pressão internacional para reduzir a escalada no Líbano, onde o conflito se desenvolve paralelamente à guerra mais ampla envolvendo Irã e Israel. Mais de um milhão de libaneses foram obrigados a deixar suas casas desde o agravamento das hostilidades.

O Hezbollah e o Irã afirmam que os Estados Unidos haviam prometido encerrar as ações militares no Líbano como parte de um memorando de entendimento firmado há duas semanas para conter a guerra regional. Para Qassem, esse memorando entre Irã e Estados Unidos, que prevê a garantia da integridade territorial libanesa, deveria servir de base para o fim do conflito, e não o novo acordo firmado em Washington.

A rejeição ao pacto também repercutiu entre setores xiitas libaneses além do Hezbollah. O movimento Amal, ligado ao presidente do Parlamento, Nabih Berri, a principal liderança política xiita do Líbano, denunciou o acordo como desequilibrado e afirmou que ele consolida condições favoráveis a Israel.

Do lado israelense, o acordo foi recebido como uma vitória política e militar. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, elogiou o entendimento e afirmou que ele permite a manutenção da ocupação israelense de uma chamada zona de segurança no Líbano, além de impedir o retorno de moradores deslocados para áreas sob controle militar israelense.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apresentou neste sábado um mapa com duas “zonas-piloto” que Israel aceitou entregar futuramente ao exército libanês. Uma dessas áreas, segundo a Reuters, fica inteiramente fora da região atualmente ocupada por tropas israelenses. A outra está localizada na borda da zona ampliada de ocupação anunciada por Israel na semana passada.

Apesar da assinatura do acordo, as hostilidades continuaram. A agência estatal de notícias do Líbano informou que um drone israelense atingiu Nabatieh al-Fawqa, no sul do país. A área fica fora da zona de segurança apresentada por Israel no mapa do território que suas tropas continuarão controlando.

As Forças Armadas israelenses confirmaram à Reuters a realização do ataque com drone. Segundo os militares, a ação foi conduzida porque Israel não tinha tropas na área imediata. O Exército afirmou ter mirado uma pessoa que representaria ameaça às suas forças, mas não apresentou detalhes adicionais nem provas sobre a alegação.

A continuidade dos ataques reforça a fragilidade do acordo e evidencia a dificuldade de transformar entendimentos diplomáticos em redução efetiva da violência no sul do Líbano. Para o Hezbollah, a permanência israelense em território libanês e a vinculação da retirada ao desarmamento do grupo tornam o pacto inaceitável. Para Israel, o texto cria uma base para preservar sua presença militar enquanto afirma buscar garantias de segurança na fronteira norte.

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