Homem morto por agentes do ICE em Minneapolis é identificado como Alex Jeffrey Pretti
Operação federal para localizar imigrante indocumentado termina com morte de cidadão americano
247 – Um cidadão norte-americano de 37 anos, identificado como Alex Jeffrey Pretti, morreu neste sábado (24) em Minneapolis, no estado de Minnesota, após uma abordagem de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em um episódio que rapidamente escalou para uma crise política e de segurança pública no estado.
As informações foram divulgadas pela RT Brasil, com base em relatos de meios locais e confirmações posteriores de autoridades, incluindo o chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, e comunicados do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).
Quem era Alex Jeffrey Pretti, segundo a polícia
De acordo com Brian O’Hara, Pretti era um homem branco, residente de Minneapolis, sem antecedentes criminais graves e com armas legalizadas, incluindo porte autorizado. A confirmação da identidade, ainda segundo a polícia, ocorreu após informações iniciais circularem em meios locais citando pessoas ligadas ao caso.
A caracterização do perfil da vítima, em especial a ausência de histórico criminal grave e a condição de cidadão americano, reforçou a repercussão do episódio e ampliou a indignação em Minneapolis, onde imagens do confronto passaram a circular amplamente nas redes sociais.
O que o governo federal diz que aconteceu
O episódio ocorreu durante uma operação federal cujo objetivo, segundo o DHS, era localizar um imigrante indocumentado acusado de agressão violenta. O departamento afirmou que, durante a ação, Pretti teria se aproximado dos agentes portando uma arma de fogo.
Ainda segundo o DHS, os agentes tentaram desarmá-lo, mas ele teria resistido “de forma violenta”. A versão oficial sustenta que um dos agentes, alegando temer pela própria vida e pela vida dos colegas, atirou. Paramédicos teriam prestado atendimento no local, mas Pretti não resistiu aos ferimentos.
O que mostram os vídeos que circulam nas redes
Imagens que circulam nas redes sociais, descritas na cobertura, mostram um momento de forte tensão: agentes do ICE imobilizando um homem no chão, uso de spray de pimenta e, na sequência, um agente sacando a arma e disparando à queima-roupa. Em outro trecho descrito, o disparo teria sido repetido.
A circulação desses vídeos impulsionou protestos e alimentou críticas públicas sobre o uso de força por agentes federais, especialmente quando a operação se dá em áreas urbanas onde autoridades locais alegam não ter coordenação suficiente com a esfera federal.
Tim Walz cobra investigação estadual e critica presença federal
O governador de Minnesota, Tim Walz, declarou que o estado deve liderar a apuração do caso e afirmou ter comunicado essa posição à Casa Branca. Em publicação na rede X, Walz escreveu: "Já informei à Casa Branca que o estado deve liderar a investigação e que os investigadores estaduais devem garantir que a justiça seja feita".
Walz também pediu calma à população e criticou a atuação das forças federais no território estadual. Em outra declaração, ele afirmou: "Agentes federais não devem atrapalhar nossa capacidade de garantir a segurança da população".
A posição do governador evidencia um ponto de atrito recorrente nos Estados Unidos: a disputa política e operacional entre autoridades estaduais e forças federais, especialmente em ações ligadas à imigração, tema que voltou ao centro do debate sob o presidente Donald Trump.
Donald Trump reage, elogia ICE e acusa autoridades estaduais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se manifestou em sua rede Truth Social e compartilhou uma imagem de Pretti, descrevendo-o como "carregado (com dois carregadores extras cheios!) e pronto para atirar".
Trump também questionou a ausência de apoio da polícia local à operação e acusou autoridades de Minnesota de “incitar uma insurreição”. Ele escreveu: "Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho".
A reação do presidente, além de acirrar o clima político, reforça a narrativa de confronto entre governo federal e governos estaduais em torno das políticas de imigração e segurança. Ao mesmo tempo, a descrição feita por Trump amplificou a polarização, ao apresentar a vítima como uma ameaça imediata, enquanto vídeos e relatos descrevem um cenário de contenção física e uso de spray de pimenta antes dos disparos.
Minnesota mobiliza a Guarda Nacional em meio ao caos
Horas após o episódio, Tim Walz anunciou a mobilização da Guarda Nacional diante do “caos” na região metropolitana. O major-general Shawn Menke confirmou a medida e afirmou que tropas já estavam prontas para responder com mais rapidez.
Segundo Menke, a mobilização ocorreu após um pedido do xerife do condado de Hennepin, com o objetivo de liberar recursos para outras tarefas de segurança e apoiar a resposta local. Ele afirmou: "Temos tropas prontas na área metropolitana para responder muito mais rapidamente do que se não estivessem mobilizadas. Recebemos um pedido do xerife do condado de Hennepin para apoiá-los, e isso visa liberar recursos adicionais para outras tarefas que eles precisam realizar. E começamos a coordenar com eles esta manhã a respeito disso".
A entrada da Guarda Nacional eleva o grau de alerta e sugere um ambiente de instabilidade que vai além de um único incidente, indicando temor de novos confrontos, protestos e dificuldades na manutenção da ordem.
Acusações de força excessiva e um histórico recente citado na cobertura
A cobertura menciona que este não seria o primeiro episódio do tipo em Minneapolis. Segundo o texto, em janeiro, Renee Good, cidadã norte-americana, teria sido morta por um agente do ICE durante uma operação de imigração, gerando comoção e indignação nacional, com críticas ao que foi descrito como violência desnecessária.
Também são citados “diversos casos” relatados de uso excessivo de força por agentes de imigração durante batidas, além de mobilizações locais, incluindo uma greve geral, para exigir que agentes do ICE deixem o estado.
Esses relatos, ao serem colocados em sequência com o caso Pretti, compõem um quadro de crescente tensão social e política, em que ações federais passam a ser vistas por parte da população como operações militarizadas, com pouca transparência e alto risco de escalada violenta.
Um caso que expõe o choque entre direitos, segurança e política
O caso Alex Jeffrey Pretti reúne elementos que tendem a aprofundar a crise: a morte de um cidadão americano, a existência de vídeos de ampla circulação, a disputa pública entre o governador e o presidente, e a decisão de mobilizar a Guarda Nacional.
Enquanto o governo federal sustenta a versão de legítima defesa, a pressão por uma investigação independente cresce, especialmente diante das imagens e da percepção de que operações do ICE podem estar extrapolando limites em nome de uma política de imigração agressiva.
A condução da investigação por autoridades estaduais, como defende Tim Walz, e a transparência sobre a cadeia de comando, o uso de força e a dinâmica dos disparos serão decisivas para definir responsabilidades e para reduzir o risco de novos confrontos em Minneapolis.


