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Huawei e Aggreko anunciam maior projeto de baterias do Brasil na Amazônia

Parceria prevê microrredes solares com armazenamento de energia para reduzir uso de diesel em comunidades isoladas e impulsionar a transição energética

Servidor Atlas 800 da Huawei exibido em Hong Kong (Foto: REUTERS/Tyrone Siu)

247 - A chinesa Huawei e a britânica Aggreko firmaram uma parceria para implantar, na Amazônia brasileira, o maior projeto de armazenamento de energia em baterias já desenvolvido no país. A iniciativa combina usinas solares e sistemas de armazenamento energético com o objetivo de reduzir a dependência de termelétricas movidas a combustíveis fósseis em regiões isoladas. As informações foram divulgadas originalmente pela agência Reuters, que apurou detalhes do empreendimento junto às empresas envolvidas. 

O projeto surge como uma das principais apostas para descarbonizar a geração elétrica em áreas da Amazônia ainda desconectadas do Sistema Interligado Nacional.O plano prevê a implantação de microrredes em 24 localidades do Amazonas, incluindo municípios de maior porte, como Tefé, que possui cerca de 75 mil habitantes. Ao todo, serão instalados 110 megawatts-pico (MWp) em capacidade solar e 120 megawatt-horas (MWh) em sistemas de armazenamento de energia.

O investimento total estimado é de R$ 850 milhões. Desse montante, R$ 510 milhões virão de um fundo criado após a privatização da Eletrobras, atualmente denominada Axia Energia. O restante será aportado pela Aggreko, responsável pela aquisição das baterias fornecidas pela Huawei.Segundo dados da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), o empreendimento representa o maior projeto nacional envolvendo sistemas de armazenamento elétrico.

 O Brasil ainda possui participação limitada nesse segmento, contando atualmente com apenas um projeto em larga escala, operado pela transmissora ISA Energia, no litoral paulista.A estratégia central da parceria consiste em “hibridizar” usinas termelétricas já existentes com geração solar e baterias. A energia fotovoltaica produzida durante o dia será superior ao consumo local, permitindo o carregamento dos sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems), que garantirão fornecimento estável mesmo durante períodos sem sol.

O diretor da Aggreko para vendas ao setor de utilities no Brasil, Cristiano Lopes Saito, explicou que as termelétricas continuarão operando como respaldo energético."Somos obrigados a ter (as térmicas), pelo nosso contrato... Não reduziremos capacidade térmica, o que vamos fazer é operar menos essas máquinas, com um custo associado menor... Esse é o segredo para aumentar a penetração renovável".

De acordo com o executivo, a complexidade climática da Amazônia — marcada por alta nebulosidade e índices elevados de chuva — exige redundância energética para garantir segurança no fornecimento.Para a Huawei, o projeto se torna o maior empreendimento de armazenamento em baterias do portfólio da companhia no Brasil, reforçando a estratégia de expansão da empresa diante da expectativa de um futuro leilão federal específico para contratação de sistemas de armazenamento.

A diretora de Off-Grid da Huawei no Brasil, Bárbara Pizzolatto, destacou que as baterias terão papel essencial além do armazenamento, contribuindo para a estabilidade do sistema elétrico local."É um projeto extremamente disruptivo, é o maior projeto de microgrid que tem hoje nas Américas, completamente desconectado (da rede elétrica), e que acho que vai trazer muito benefício para a transição energética no Brasil"Segundo a executiva, os equipamentos utilizados terão dimensões industriais. Enquanto projetos menores utilizam baterias residenciais compactas, o novo sistema contará com unidades que variam de 2,8 toneladas até estruturas equivalentes a contêineres de 20 pés, com cerca de 28 toneladas.

O cronograma prevê início das implantações ainda em 2026, com prazo total de execução de até três anos. As primeiras usinas devem começar a operar entre 2027 e 2028.Entre os impactos esperados está a redução anual de aproximadamente 37 milhões de litros de diesel utilizados na geração elétrica da região, além do corte estimado de 104 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono equivalente por ano.

A diminuição do consumo de combustível também poderá aliviar a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), encargo presente nas contas de energia elétrica brasileiras e destinado a subsidiar sistemas isolados, especialmente na Amazônia.

O projeto se soma a iniciativas federais como os programas Luz Para Todos e Mais Luz Para a Amazônia, que buscam ampliar o acesso à energia limpa em comunidades remotas. Diferentemente dessas ações de pequeno porte, a parceria entre Huawei e Aggreko pretende abastecer não apenas residências, mas também comércios e pequenas indústrias."Um projeto como esse pode realmente servir de propulsor para a utilização do armazenamento para melhorar a qualidade de energia do país", acrescentou Pizzolatto.

Especialistas do setor avaliam que a iniciativa pode marcar uma mudança estrutural na matriz energética das regiões isoladas brasileiras, criando um modelo replicável para ampliar o uso de renováveis associadas ao armazenamento de energia em larga escala no país.

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