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Humilhado por Trump, Macron critica: “não é momento para imperialismos e colonialismos”

Presidente da França discursou no Fórum Econômico Mundial e defendeu a ampliação de investimentos da China na Europa

Emmanuel Macron (Foto: Reuters/Denis Balibouse)

247 - O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um discurso contundente nesta terça-feira (20) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, ao afirmar que a Europa não aceitará pressões baseadas na “lei do mais forte” e não se curvará a investidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A fala ocorreu em meio às recentes declarações do líder norte-americano sobre a Groenlândia e ao questionamento do compromisso dos EUA com aliados europeus.

Macron discursou no encontro anual que reúne líderes políticos e econômicos de todo o mundo. O presidente francês criticou o que classificou como ameaças a parceiros históricos da Otan e ressaltou que “não faz sentido ameaçar aliados”, defendendo uma postura baseada em cooperação e respeito mútuo.

Durante sua intervenção, Macron afirmou que “não é o momento para imperialismos e colonialismos”, numa referência direta às posições recentes do presidente dos Estados Unidos. Ele destacou que a União Europeia não deve se submeter a pressões externas e revelou que, embora considere a situação “estarrecedora”, o bloco avalia até mesmo a utilização de seu “instrumento anticoerção” contra Washington, apesar da longa aliança transatlântica.

“Preferimos o respeito aos valentões. Preferimos a ciência às teorias da conspiração e preferimos o Estado de Direito à brutalidade”, declarou o presidente francês.

Macron também rebateu críticas frequentes do presidente dos Estados Unidos, que acusa líderes europeus de lentidão diante de crises. Segundo ele, a previsibilidade institucional da Europa é um diferencial. “A Europa pode ser lenta, mas somos previsíveis e temos regras da lei, o que é uma vantagem nos dias atuais”, afirmou no palco de Davos.

Outro ponto abordado foi a relação econômica com a China. Apesar de Pequim ser vista como rival estratégica dos EUA, Macron defendeu a ampliação de investimentos chineses no continente europeu, contrariando a tentativa do governo de Donald Trump de limitar a presença do país asiático no Ocidente.

O presidente francês também manifestou solidariedade à Dinamarca, alvo indireto das declarações do presidente dos Estados Unidos sobre a Groenlândia. “A Europa seguirá ao lado dos nossos amigos da Dinamarca, quando eles estão sendo pressionados. É o que se espera de um aliado”, disse.

Além do conteúdo político, o discurso chamou atenção pelo fato de Macron usar óculos escuros durante a apresentação. Segundo ele, o acessório foi necessário por causa de uma condição ocular sem gravidade. Em fala anterior às Forças Armadas francesas, na semana passada, o presidente comentou o tema: “Por favor, perdoem a aparência desagradável do meu olho. É, claro, algo completamente inofensivo".

De acordo com o jornal britânico The Guardian, Macron apresenta uma mancha no olho causada pela ruptura de uma veia, após um derrame, o que teria motivado o uso dos óculos.

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