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Irã acusa EUA de mentiras e crimes de guerra

Ameaças e ataques dos EUA violam o direito internacional, diz porta-voz iraniano

Esmail Baqai (Foto: Reuters)

247 - O governo do Irã acusou os Estados Unidos de basear a guerra em curso em “mentiras” e de cometer crimes de guerra, ao lado de Israel, em meio à escalada de tensões na região. As declarações apontam para uma forte crítica à atuação militar e às justificativas apresentadas por Washington.

As informações foram divulgadas pela HispanTV, com base em entrevista do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqai, à agência britânica Reuters nesta segunda-feira (6).

Segundo Baqai, as ameaças reiteradas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar infraestruturas energéticas e industriais iranianas, bem como a autorização para ações israelenses contra áreas civis, configuram violações graves do direito internacional. Ele classificou essas ações como “crimes de guerra” e afirmou que ferem os princípios do direito internacional humanitário e dispositivos do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.

O porta-voz também destacou que países envolvidos ou que colaborem com essas ações devem ser responsabilizados. Para ele, a ofensiva contra o Irã carece de fundamentos legítimos e foi construída a partir de justificativas falsas.

“Todos, não só na nossa região, mas em nível mundial, incluindo os Estados Unidos, consideram esta guerra ilegal. É uma guerra imposta a um país civilizado sem razão alguma; uma guerra baseada em mentiras. A mentira de que o Irã busca armas nucleares é algo que nunca existiu”, afirmou Baqai.

Ele acrescentou que outra alegação considerada falsa seria a existência de uma ameaça iminente do Irã contra a população norte-americana. “Sabem que tal ameaça nunca existiu”, disse.

O porta-voz também rejeitou a justificativa de que as ações teriam como objetivo ajudar o povo iraniano. “Outra afirmação falsa foi que seu objetivo era ajudar o povo iraniano”, declarou, acrescentando que essa “ajuda é a morte e destruição”.

Baqai citou ainda ataques ocorridos no início da ofensiva, mencionando bombardeios contra uma escola primária e um ginásio no sul do país, que, segundo ele, resultaram em elevado número de vítimas civis. De acordo com o porta-voz, “em menos de uma hora, mais de 200 crianças inocentes foram massacradas”, episódio que teria sido classificado pelos responsáveis como um “acidente”.

Sobre uma operação dos Estados Unidos na província de Isfahan, realizada no domingo (5), Baqai afirmou que há suspeitas de que a ação possa ter tido como objetivo oculto a tentativa de apreender urânio enriquecido iraniano. Ele disse que não se deve descartar a possibilidade de se tratar de uma operação enganosa.

Apesar disso, o porta-voz avaliou que a operação terminou em fracasso para Washington, descrevendo-a como uma “debacle” e um “desastre”. Segundo ele, o desfecho demonstra a capacidade de resistência do Irã e reforça a posição do país diante das pressões externas.

As declarações evidenciam o agravamento da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. 

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